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Faca nos Dentes, uma sidra de terroir

No Minho, há quem como o Pedro Paiva que palmilha campos e aldeias em busca de maçãs para fazer sidra artesanal a partir de variedades locais com nomes (alguns tão inusitados) como, focinho de burro, rainha, verdeal ou porta da loja.

Segundo ele, esta última variedade é a de maior potencial para fazer uma sidra de terroir. Porem, o seu maior problema é conseguir arranjar de umas e de outras em quantidade que lhe permita ter um certo nível de produção. É que a maior parte destas maçãs vêm de árvores dispersas ou de pequenos pomares semi abandonados e são tão desvalorizadas que os velhotes chamam-lhe maluco por ele querer comprar algo que eles destinam, normalmente, a alimento de animais.

Este ano, o Pedro fez 60 garrafas de Porta da Loja e 300 desta rosada, que é uma mistura das diversas variedades que maceraram com películas de uvas da casta vinhão. Trata-se de uma pequena experiência que resulta de uma prensa directa, sem adição sulfuroso, e em que a maceração curta extraiu mais cor do que propriamente tanino. Não é uma sidra de grande complexidade, mas tem uma acidez que me agradou, sobretudo nestes dias de quentes. 


Ah, o nome: @sidrafacanosdentes. Tão fixe como o rótulo (da autoria de @shambhallart). 😎 

P.S. Esta secção Instagram é composta por posts publicados (ou adaptados de publicações) na conta do Instagram do autor (@migpires), ou na do Mesa Marcada (@mesamarcada_oficial).

Co-autor do Mesa Marcada. Escreve sobre gastronomia no Público, Revista de Vinhos (crítica gastronómica) e em títulos internacionais como Cook Inc (Itália), Eater.com (EUA) e Gula (Brasil). É autor do livro “Lisboa à Mesa - Guia onde Comer. Onde Comprar”, com edições em português, inglês e espanhol (na Planeta).

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