Notas

Almoços de comida congelada de nomes consagrados no Chefs à Mesa

Há dois preconceitos que a Chefs à Mesa quer desfazer. O primeiro é o de que os pratos de comida congelada não têm grande qualidade e, por isso, para compensar, têm que ser muito baratos. O segundo é o de que a “cozinha de chefe” é sempre cara e complicada. Com loja na zona de Entrecampos, em Lisboa, a Chefs à Mesa trabalha actualmente com Vítor Sobral, Miguel Castro e Silva, Paulo Morais e Bertílio Gomes, com a vegetariana Asoka e, na vertente social, com a Cozinha com Alma, cujas receitas destinam-se a ajudar famílias carenciadas. Após dois anos de funcionamento, a loja, que não faz entregas ao domicílio, passou agora a também servir almoços no local, a preços que variam entre os 8 e os 15 euros, com um prato único diferente a cada dia da semana (um copo de vinho e um café estão incluídos, além de 10% de desconto em compras), uma maneira de divulgar a sua variada oferta. Nesta semana, por exemplo, já houve a sopa de cação (15 euros) ou pastéis de massa tenra e salada (8 euros), ambos de Miguel Castro e Silva, ou feijoada de chocos e gambas, de Bertílio Gomes (10 euros).

“A ideia surgiu durante a pandemia, quando passou a ser muito mais frequente pedir aos restaurantes para trazerem refeições a casa, mas a verdade é que, hoje em dia, as pessoas andam superocupadas e quando chega o fim do dia gostam de ter um jantar de boa qualidade, a preço acessível e que não lhes dê trabalho”. É assim que Rui Carmo, um dos responsáveis pelo Chefs à Mesa, resume ao Mesa Marcada o “conceito” da empresa. Mas será que chefes consagrados, alguns como Paulo Morais com uma estrela Michelin (no restaurante Kanazawa, em Algés), não sentem que pode ser desprestigiante fazer pratos de comida congelada, vistos habitualmente em expositores de supermercado? “Não, de maneira nenhuma”, responde Rui Carmo, “todos eles acharam a ideia muito interessante, por ser uma via de chegarem a mais pessoas – sobretudo aquelas que ou não conhecem os seus restaurantes ou têm uma ideia equivocada sobre a tal cozinha de chefe – e fazem questão de que os pratos tenham a sua marca, sabem que o seu nome está em causa”.

Caril de camarão, da autoria de Vítor Sobral

De facto, vários pratos são bem característicos, sendo que todos vêm com instruções de preparação fácil em casa, estando toda a informação disponível, incluindo ingredientes utilizados e preços, no site www.chefsamesa.com. Só para dar alguns exemplos entre muitas opções, nas entradas e finger food vamos encontrar os famosos rissóis de berbigão, de Bertílio Gomes (estes, no forno), com seis unidades por 20,70€, ou as gyozas de rabo de boi, de Paulo Morais (cinco unidades, 9,70€). Nos pratos principais, o caril de lulas e camarão (26,40€, duas doses) e o arroz de pato à antiga com cogumelos e alecrim (19€, duas doses), ambos de Vítor Sobral, o cachaço de porco confitado, de Miguel Castro e Silva (13,40€, duas pessoas), o Wellington Beet, do Asoka (15,60€, uma unidade), numa versão vegetariana do chefe Luccas Paixão do famoso clássico, em que a carne é substituída por tofu, beterraba e outros ingredientes. E ainda várias empadas da Cozinha com Alma (de cozido à portuguesa, de frango, de pato com alho-francês) a preços que vão dos 11€ aos 15€ e que dá para entre quatro e oito pessoas. Há também a possibilidade de pedir acompanhamentos como o arroz de forno (5€, duas doses) ou os legumes assados (4,80€, duas doses), de Miguel Castro e Silva, ou o esparregado da Cozinha com Alma (4,80€, duas doses). Por fim, nas sobremesas, ficam como exemplos o brownie de chá verde, de Paulo Morais (9,70€, duas doses) ou os gelados de vários sabores, de Bertílio Gomes (10,30€, 500 ml).

Wellington em versão vegetariana, do Asoka

Ao longo destes quase dois anos de existência, segundo Rui Carmo, não ficou estabelecido um cliente-tipo: “Tem sido muito variado, desde gente que mora sozinha até famílias numerosas, grupos de amigos que querem jantares diferentes, casais mais novos, com filhos pequenos, em que ambos trabalham, há de tudo…. E também muitos vegetarianos, que gostam dos pratos diferentes que aqui encontram”. Quanto ao fornecimento a empresas, há alguns planos para breve, mas uma já os procurou, a “mercearia gourmet” Aroma do Campo, em Santo Estêvão, na zona de Alcochete, que dispõe de expositores com os pratos da Chefs à Mesa. Sobre planos de expansão, Rui Carmo considera que, para já, o mais importante é consolidar esta loja e continuar a trabalhar para que o seu conceito seja bem compreendido. “Acho que estamos no caminho certo e como pedimos sempre a avaliação dos clientes, vemos que as reacções têm sido muito elogiosas. As pessoas realçam que não só poupam trabalho e desperdícios, como têm refeições sempre à disposição no frigorífico que se comparam com as que as que têm quando vão a bons restaurantes”.

Chefs à Mesa

Morada: Rua Sanches Coelho, 4 C, Lisboa

Tel. 217 960 001/ 962 337 460

Site: www.chefsamesa.com

Horários: 10h30 às 19h30. Sábado, das 10h30 às 14h30. Fecha ao domingo


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