É uma notícia bombástica e uma das maiores surpresas dos últimos anos no universo da alta cozinha: o Alinea, de Grant Achatz, em Chicago, perdeu a terceira estrela Michelin. A notícia foi confirmada ontem pelo Guia Michelin, que revelou que três dos mais reputados restaurantes norte-americanos — Alinea (Chicago), The Inn at Little Washington (Virgínia) e Masa (Nova Iorque) — foram despromovidos de três para duas estrelas na edição de 2025, cujo anúncio público será feito dentro de dias.
Segundo um comunicado do guia, citado pela Eater Chicago, e que aqui traduzimos, “antes da cerimónia deste ano dedicada às cidades do Nordeste, o Guia Michelin anuncia que o Alinea, o Inn at Little Washington e o Masa receberão duas estrelas Michelin na selecção de 2025. As equipas e os chefes destes restaurantes foram informados antes da cerimónia.” O anúncio oficial será feito no próximo dia 18 de Novembro, em Filadélfia.
A confirmação da descida surgiu pouco depois de Grant Achatz ter publicado uma mensagem no seu Instagram, onde lamenta a decisão mas reafirma a sua dedicação ao projecto que fundou há duas décadas:
“Ficámos desiludidos ao saber da nossa despromoção para duas estrelas. Durante vinte anos, o Alinea tem-se dedicado a explorar a criatividade, o rigor e a busca da perfeição no nosso ofício. Esse compromisso mantém-se hoje tão firme como no primeiro dia — e continuará assim até que a porta do Nº1723 se feche pela última vez.”
Chicago perde um ícone de três estrelas
Fundado em 2005, o Alinea é considerado um dos restaurantes mais influentes do século XXI, e uma referência na cozinha conceptual. Desde que o guia Michelin chegou a Chicago, em 2011, manteve sempre as três estrelas, tornando-se um símbolo da gastronomia norte-americana contemporânea e um destino de culto para gastrónomos de todo o mundo.
Com esta decisão, a menos que haja alguma promoção no próximo dia 18, Chicago passa a ter apenas um restaurante com três estrelas Michelin:o Smyth, dos chefs John e Karen Shields. Enquanto isso o panorama norte-americano sofre provavelmente o maior abalão desde que o guia, ou melhor, os guias (inicialmente de cidades e mais tarde de regiões) começaram a ser publicado nos Estados Unidos.
Um sinal de maior exigência do guia Michelin?
A perda simultânea de três casas — duas delas lendárias — é rara, para não dizer inédita. Será que o guia Michelin está mais exigente, ou será uma forma de mostrar que continua atento e não pactua com uma eventual perda de qualidade que ponha em causa os seus critérios de exigência, sobretudo ao mais alto nível, o das três estrelas?
A noticia da Eater deixa algumas pistas, para o caso da perda do Alinea: “ “Foi um ano agridoce para o Alinea. Embora o restaurante tenha celebrado o seu 20.º aniversário este ano com residências pop-up por todo o mundo, críticas recentes de publicações como o New York Times e o Chicago Tribune questionaram a relevância do Alinea no panorama actual da alta gastronomia e, agora, a Michelin pronunciou-se.”
E claro, notícias como esta mexem com todo o meio — sobretudo com os restaurantes e chefes que estão no topo. Uns, com duas estrelas, sentem-se próximos da glória e reivindicam a terceira (como vem acontecendo em Portugal nos últimos anos, onde se reinvindica um ou dois três-estrelas). Outros, que as têm, for a do nosso rectângulo, não podem deixar de ficar ligeiramente intranquilos perante a possibilidade de uma despromoção.
Dito isto, no próximo dia 25 de Novembro será revelada a nova edição do Guia Michelin Espanha, numa gala onde o Mesa Marcada estará presente. Nos últimos anos houve algumas promoções de duas para três estrelas e zero perdas a esse nível (aliás a última vez que tal aconteceu em Espanha, creio que foi no guia de 2012, com o Can Fabes e teve a ver com o falecimento do chef Santi Santamaria). Enfim, uma notícia como esta, vinda dos Estados Unidos, nas vésperas da cerimónia em Málaga, poderá causar alguma apreensão, mesmo que silenciosa. Valha-nos, ao menos, que pelos Estados Unidos, os chefes foram avisados com antecedência. Imagine-se o que seria descobrir de uma despromoção com este impacto em plena gala…
Fotos: Site do restaurante e instagram de Grant Achatz (abertura)
É uma notícia bombástica e uma das maiores surpresas dos últimos anos no universo da alta cozinha: o Alinea, de Grant Achatz, em Chicago, perdeu a terceira estrela Michelin. A notícia foi confirmada ontem pelo Guia Michelin, que revelou que três dos mais reputados restaurantes norte-americanos — Alinea (Chicago), The Inn at Little Washington (Virgínia) e Masa (Nova Iorque) — foram despromovidos de três para duas estrelas na edição de 2025, cujo anúncio público será feito dentro de dias.
Segundo um comunicado do guia, citado pela Eater Chicago, e que aqui traduzimos, “antes da cerimónia deste ano dedicada às cidades do Nordeste, o Guia Michelin anuncia que o Alinea, o Inn at Little Washington e o Masa receberão duas estrelas Michelin na selecção de 2025. As equipas e os chefes destes restaurantes foram informados antes da cerimónia.” O anúncio oficial será feito no próximo dia 18 de Novembro, em Filadélfia.
A confirmação da descida surgiu pouco depois de Grant Achatz ter publicado uma mensagem no seu Instagram, onde lamenta a decisão mas reafirma a sua dedicação ao projecto que fundou há duas décadas:
“Ficámos desiludidos ao saber da nossa despromoção para duas estrelas. Durante vinte anos, o Alinea tem-se dedicado a explorar a criatividade, o rigor e a busca da perfeição no nosso ofício. Esse compromisso mantém-se hoje tão firme como no primeiro dia — e continuará assim até que a porta do Nº1723 se feche pela última vez.”
Chicago perde um ícone de três estrelas
Fundado em 2005, o Alinea é considerado um dos restaurantes mais influentes do século XXI, e uma referência na cozinha conceptual. Desde que o guia Michelin chegou a Chicago, em 2011, manteve sempre as três estrelas, tornando-se um símbolo da gastronomia norte-americana contemporânea e um destino de culto para gastrónomos de todo o mundo.
Com esta decisão, a menos que haja alguma promoção no próximo dia 18, Chicago passa a ter apenas um restaurante com três estrelas Michelin: o Smyth, dos chefs John e Karen Shields. Enquanto isso o panorama norte-americano sofre provavelmente o maior abalão desde que o guia, ou melhor, os guias (inicialmente de cidades e mais tarde de regiões) começaram a ser publicado nos Estados Unidos.
Um sinal de maior exigência do guia Michelin?
A perda simultânea de três casas — duas delas lendárias — é rara, para não dizer inédita. Será que o guia Michelin está mais exigente, ou será uma forma de mostrar que continua atento e não pactua com uma eventual perda de qualidade que ponha em causa os seus critérios de exigência, sobretudo ao mais alto nível, o das três estrelas?
A noticia da Eater deixa algumas pistas, para o caso da perda do Alinea: “ “Foi um ano agridoce para o Alinea. Embora o restaurante tenha celebrado o seu 20.º aniversário este ano com residências pop-up por todo o mundo, críticas recentes de publicações como o New York Times e o Chicago Tribune questionaram a relevância do Alinea no panorama actual da alta gastronomia e, agora, a Michelin pronunciou-se.”
E claro, notícias como esta mexem com todo o meio — sobretudo com os restaurantes e chefes que estão no topo. Uns, com duas estrelas, sentem-se próximos da glória e reivindicam a terceira (como vem acontecendo em Portugal nos últimos anos, onde se reinvindica um ou dois três-estrelas). Outros, que as têm, for a do nosso rectângulo, não podem deixar de ficar ligeiramente intranquilos perante a possibilidade de uma despromoção.
Dito isto, no próximo dia 25 de Novembro será revelada a nova edição do Guia Michelin Espanha, numa gala onde o Mesa Marcada estará presente. Nos últimos anos houve algumas promoções de duas para três estrelas e zero perdas a esse nível (aliás a última vez que tal aconteceu em Espanha, creio que foi no guia de 2012, com o Can Fabes e teve a ver com o falecimento do chef Santi Santamaria). Enfim, uma notícia como esta, vinda dos Estados Unidos, nas vésperas da cerimónia em Málaga, poderá causar alguma apreensão, mesmo que silenciosa. Valha-nos, ao menos, que pelos Estados Unidos, os chefes foram avisados com antecedência. Imagine-se o que seria descobrir de uma despromoção com este impacto em plena gala…
Fotos: Site do restaurante e instagram de Grant Achatz (abertura)
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