Os portugueses estão entre os maiores consumidores de arroz da Europa, com um consumo anual de cerca de 16 quilos por habitante. Contudo, apesar da importância que este cereal tem na gastronomia nacional, o arroz carolino tem vindo a perder espaço para o agulha e para as variedades aromáticas importadas, frequentemente escolhidas pela maior facilidade de preparação.
É precisamente o carolino que estará no centro da terceira edição da Festa do Arroz, marcada para sábado, 31 de Outubro, na Praça Beato, em Lisboa. Com curadoria do jornalista e gastrónomo Edgardo Pacheco, o evento reúne três chefs, cinco pratos e diferentes variedades deste arroz, procurando mostrar as suas características e possibilidades gastronómicas.

A iniciativa integra o ciclo de Festas do Produto, que Edgardo Pacheco tem vindo a desenvolver na Praça Beato, dedicadas a ingredientes como o tomate, o azeite, o queijo, o borrego ou o bacalhau. Mais do que reunir cozinheiros e servir comida, estes encontros procuram aproximar produtores, especialistas e consumidores, promovendo o conhecimento sobre os produtos portugueses.
E é aqui que entra a teimosia de Edgardo Pacheco. Jornalista e profundo conhecedor da gastronomia portuguesa, há muito que insiste na valorização dos nossos produtos e tradições, mesmo quando isso implica remar contra a maré das tendências gastronómicas. Uma teimosia que não se confunde com resistência à mudança, mas antes com a convicção de que vale a pena conhecer, preservar e divulgar aquilo que temos. Desta vez, é o arroz carolino que beneficia dessa persistência.

Três chefs, cinco pratos e uma arrozeira de barro

Nesta edição, os convidados são José Júlio Vintém, do restaurante Tombalobos, em Portalegre, José Maria Lino, chef privado especializado em arroz carolino, e Filipe Rebocho, responsável pelo Refeitório, na própria Praça Beato.
José Júlio Vintém levará uma arrozeira de barro de grandes dimensões, que desenvolveu especialmente para a confecção dos seus arrozes. O cozinheiro alentejano tem no arroz um dos produtos recorrentes do seu trabalho, explorando as possibilidades deste cereal em preparações ligadas à cozinha regional.
Já José Maria Lino apresentará duas versões de arroz-doce, lembrando que o carolino não se limita aos pratos salgados e continua a ter um papel importante na doçaria portuguesa.
Filipe Rebocho completa o trio com duas propostas da sua autoria, também centradas nas características do arroz carolino.
Os cinco pratos poderão ser adquiridos durante o evento, que começa às 12h00. A organização ainda não divulgou as receitas concretas nem os respectivos preços.
Afinal, o que distingue o arroz carolino?
Embora muitas vezes seja tratado como um único tipo de arroz, o carolino abrange diferentes variedades, com características próprias de textura, absorção de líquidos e comportamento durante a cozedura.
Na Festa do Arroz estarão representadas variedades como Ariete, Caravela, Guadiagran, Ronaldo e Teti, permitindo explorar diferentes aplicações culinárias.
Entre elas destaca-se o Caravela, apresentado como a primeira variedade de arroz carolino inteiramente portuguesa desenvolvida nos últimos 30 anos, num trabalho que procura reforçar a valorização da produção nacional.
O carolino é particularmente apreciado pela sua capacidade de absorver os sabores dos caldos e dos restantes ingredientes, característica que o torna adequado aos arrozes malandrinhos e caldosos, tão presentes na cozinha portuguesa.
Dos arrozes de marisco e peixe aos de carne, passando pelos tradicionais arrozes de tomate, feijão ou grelos, a relação entre o grão, o caldo e o ponto de cozedura é determinante para o resultado final.
A escolha da variedade, porém, nem sempre recebe a mesma atenção que os restantes ingredientes. É também essa diferença que a festa pretende dar a conhecer, mostrando que nem todos os arrozes carolinos se comportam da mesma maneira.
Do prato à produção: o futuro do arroz português
A Festa do Arroz não se esgota nas propostas dos cozinheiros. Às 16h00 está prevista uma conversa-debate com especialistas ligados à cultura do arroz, que abordará os desafios da orizicultura nacional, a investigação científica desenvolvida em Portugal e a evolução dos hábitos de consumo.
A discussão ganha pertinência num momento em que os consumidores têm à disposição uma oferta crescente de variedades de arroz, nacionais e importadas, nem sempre conhecendo as diferenças entre elas ou a sua adequação às receitas tradicionais.
A organização está a cargo da Ideias ao Lume e da Praça Beato, com o apoio da Associação Nacional dos Industriais do Arroz (ANIA) e da Lusosem, empresa especializada na selecção e gestão de sementes.
Depois das edições de 2024 e 2025, a Festa do Arroz regressa assim à Praça Beato com a mesma ideia de fundo: dar protagonismo a um produto quotidiano da cozinha portuguesa, mostrando que há muito para descobrir num ingrediente aparentemente tão familiar.

Festa do Arroz 2026 – Informações práticas
Data: Sábado, 31 de Outubro de 2026
Horário: Das 12h00 às 18h00
Local: Praça Beato, Beato Innovation District, Travessa do Grilo, 1, Lisboa
Entrada: Gratuita
Gastronomia: Cinco pratos de arroz carolino, disponíveis para compra no local
Conversa-debate: 16h00, com entrada livre
Organização: Ideias ao Lume e Praça Beato
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