Restaurantes

Taberneiros tomam conta d’A Camponesa

Quem desespera para arranjar mesa na pequena Taberna da Rua das Flores, no Chiado, em Lisboa, vai ter a partir de dia 6 de Outubro uma alternativa a pouca distância. É que os “taberneiros” decidiram expandir-se e tomar conta do tradicional restaurante A Camponesa – rebaptizado como Antiga Camponesa, na Marechal Saldanha, nº 25, rua que liga a Calçada do Combro ao Miradouro de Santa Catarina (vulgo “Adamastor”). André Magalhães, um dos taberneiros, juntamente com Bárbara Cameira e Tiago Alves, contou ao Mesa Marcada como foi o processo: “o antigo responsável, que continua dono do espaço, Miguel Cunha Ferreira, decidiu reformar-se após 20 anos, mas queria manter a memória do local e não passá-lo a alguém que o descaracterizasse. Como nos conhecia, começámos a ‘namorar’ há algum tempo e agora decidimos avançar”.

O restaurante teve obras na sala e cozinha e vai ter a liderá-lo o chefe Gareth Storey, um irlandês com noiva portuguesa que já trabalhou em vários restaurantes parisienses e também no conhecido St. John’s, em Londres. Apesar de ser a sua primeira experiência profissional entre nós, Gareth Storey vem a Portugal frequentemente e tem cá vários amigos, entre os quais André Magalhães, que o convidou a mudar-se de vez. Mas não se pense que a oferta da Antiga Camponesa vai ser idêntica à da Taberna da Rua das Flores. “Vamos ter uma formatação mais clássica, de entrada/prato/sobremesa, e menos de partilha, como na Taberna, mas com igual liberdade, recorrendo também a produtos sazonais de produtores portugueses, aproveitando, por exemplo, cortes considerados menos nobres de peixe e de carne ou enchidos menos conhecidos”, diz André Magalhães.

Com 32 lugares, a Antiga Camponesa terá agora Tiago Alves na sala e André Magalhães mais presente, pelo menos nestes primeiros tempos de abertura. Aberto, por enquanto, só para jantar (“está muito difícil encontrar pessoas para trabalhar na restauração”, justifica o taberneiro), a Antiga Camponesa terá algumas mesas disponíveis para reserva, algo que não acontece na Taberna da Rua das Flores, que recentemente comemorou 10 anos de grande êxito (foto de abertura), com filas à porta a partir das 17.30h – após fechar às 16h, reabre às 18h para jantar, seguindo noite fora. Apesar da “loucura” que está a ser a procura de clientes, incluindo muitos turistas, André Magalhães está satisfeito com esta expansão: “estamos a resgatar um espaço e acho que fizemos um bom trabalho de recuperação, a cozinha está óptima e a sala muito bonita. Creio que os clientes da Taberna, quando não conseguirem lugar, vão gostar que lhes ofereçamos a Antiga Camponesa como opção”.

Fotografia: Cristina Gomes

Nasceu em Lisboa em 1963. Licenciou-se em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa e trabalhou em diversos jornais (Semanário, Diário Popular e Diário de Lisboa) e, depois, na área de comunicação empresarial. Em 1997, começou a colaborar com a revista “Fortuna” na área de gastronomia e vinhos. Em 1999, criou a página “Boa Vida” para o “Diário de Notícias”, que coordenou até Janeiro de 2009, com algumas interrupções. Entre 2007 e 2019, foi coordenador do Projecto Gastronomia da Associação de Turismo de Lisboa e, nesse âmbito, director do festival gastronómico Peixe em Lisboa, continuando a escrever artigos sobre gastronomia e restaurantes em várias publicações.

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