Notas

Chef’s Table está volta à Netflix com nova temporada

Quando surgiu em 2015, Chef’s Table foi a série documental que revolucionou o mundo da restauração no campo audiovisual. O seu impacto foi tal que, para um/a chef que figurasse numa das primeiras temporadas da série, especialmente os que ainda não eram rock stars, poderia significar um impacto maior do que ganhar estrelas Michelin ou ficar no décimo lugar de um ranking mundial – que o diga Ana Ros, do Hisa Franko, que de um dia para o outro começou a ver chegar clientes de várias partes do mundo.

Quem não se recorda do marcante episódio inaugural com Massimo Bottura, ou de outros como os de Dan Barber, Francis Mallmann ou Grant Achatz, os meus preferidos. É verdade que a partir da 4ª série o formato começou a revelar algum cansaço – até porque começou a ser copiado, já para não falar no uso e abuso da versão de Max Richter da “Primavera” de Vivaldi em tudo que tinha imagens. Ainda houve alguns derivados, com episódios temáticos dedicados à pastelaria, barbecue e pizza, mas a verdade é que após a sexta temporada, em 2019, parecia que, tal como nós, os produtores da série Brian McGinn e David Gelb estavam tão fartinhos que iriam pôr um ponto final de vez na mesma.

Porém, às vezes os finais são apenas pausas mais ou menos prolongadas e Chef’s Table está de volta para a sétima temporada, com início previsto para 28 de novembro.

Nesta nova edição, apresenta as histórias de Kwame Onwuachi, do restaurante Tatiana em Nova Iorque; Norma Listman e Saqib Keval, do Masala y Maíz na Cidade do México; Chutatip Nok Suntaranon, do restaurante Kalaya em Filadélfia; e Ángel León, do Aponiente, em Porto de Santa Maria, Espanha.

Como aconteceu, sobretudo após as primeiras séries, os produtores voltam a apostar em chefs menos conhecidos, fora do padrão anglo-saxónico e da matriz de cozinha ocidental/francesa. Para David Gelb, o sucesso de Chef’s Table sempre foi a história dos protagonistas como algo primordial, sendo a cozinha e a linguagem audiovisual o meio de expressão.

Aqui ao lado, os nossos amigos espanhóis não se cansam de exibir um grande contentamento (bom, e os que não foram escolhidos, alguns sorrisos amarelos). Afinal, Ángel León é o único protagonista fora das Américas a ser escolhido nesta fornada e apenas o terceiro espanhol, após Jordi Roca e Albert Adrià, em termos totais. 

Segundo foi dado a conhecer, o episódio de Ángel León foi filmado em julho de 2023 em Cádis durante três semanas, conta com as participações do chef José Andrés e dos influentes Benito Lamas e Patricia Mateo (ligados à Vocento Media, que domina tudo o que é congressos e comunicação gastronómica em Espanha). Inclui cenas gravadas no restaurante Aponiente, nos pântanos do Parque Natural da Baía de Cádis, no Tabanco El Pasaje, no restaurante Antonio em Zahara de los Atunes, na Taberna Casa Manteca, na banca de churros da Charo (uma personagem local carismática em Porto de Santa María), no mercado municipal de Jerez de la Frontera e nas instalações da empresa de atum Petaca Chico.

Ao longo da viagem pela história de León, é possível apreciar pratos emblemáticos e históricos do “chef do mar” como arroz com plâncton, escabeche de plâncton e folhas de figueira, pernil do mar, bolo Inés Rosales do Mar, charcutaria do mar ou presunto do mar, bem como a técnica de cozinhar com sal.

Ainda faltam mais de dois meses até podermos ver o resultado desta sétima série de Chef’s Table, mas quem quiser pode rever as anteriores – eu descobri que afinal houve vários das últimas séries que não vi – uma vez que as mesmas continuam disponíveis na Netflix.

Fotos: abertura e filmagens – Netflix; pratos e produtos, Álvaro Fernández Prieto


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