Entre regressos à cozinha tradicional, roteiros gastronómicos que percorrem o país e mudanças de identidade em restaurantes já conhecidos, há novidades que cruzam tradição popular, agendas de mesa e reposicionamentos discretos. Da Ordem da Cabidela, que volta à estrada de norte a sul, aos arrozes de fim-de-semana de Vítor Sobral, passando pelos primeiros sinais concretos da nova etapa do Boubou’s, ficam três pistas recentes do radar gastronómico nacional.
Ordem da Cabidela volta à estrada, de Montemor-o-Novo aos Açores e Madeira
Criada em 2016 pelas Edições do Gosto, a Ordem da Cabidela regressa com nova ronda de jantares a nível nacional. O movimento, que reúne já mais de dois mil membros em torno da valorização (e reinvenção) da cabidela, mantém o lado cerimonial e descontraído que o tornou fenómeno de nicho, mas reforça agora também a dimensão itinerante, com eventos programados de norte a sul e, pela primeira vez, nas ilhas.
Depois da abertura em Guimarães, o próximo jantar acontece já a 12 de Maio, no Poda, em Montemor-o-Novo, com João Narigueta e Alexandra Matado a receberem Jorge Melgas, Letícia Silva e Maria Caldeira de Sousa. Seguem-se depois Leiria (Puttanesca, 28 de Maio), Vila Real de Santo António (Três Marias, 16 de Junho), Porto (Exuberante, 10 de Setembro, e Atrevo, 19 de Novembro), São Miguel (Atelier 560, 29 de Outubro), Funchal (Terreiro, 31 de Outubro) e Lisboa (Plano, 10 de Dezembro).
A expansão geográfica dá nova escala a uma iniciativa que, mantendo a lógica de confraria gastronómica, consegue também retirar a cabidela do seu contexto mais previsível e levá-la a diferentes cozinhas, públicos e interpretações. Num panorama frequentemente excessivamente centrado em Lisboa, esse detalhe não é menor.
Na Taberna da Esquina, Vítor Sobral dedica fins-de-semana ao arroz até Agosto
Em Lisboa, na Taberna da Esquina da Avenida da República, Vítor Sobral decidiu transformar os próximos meses numa celebração continuada de um dos pilares da cozinha portuguesa: o arroz. Até final de Agosto, sábados e domingos passam a ser dedicados a diferentes arrozes tradicionais, servidos em regime rotativo ao almoço e jantar, sempre a 19 euros.
A iniciativa arrancou com arroz de polvo, seguindo-se já a 9 e 10 de Maio o arroz de cabidela. Depois, ao longo dos meses, alternam arroz de marisco, arroz de cabrito com cogumelos e novos regressos de cada proposta em diferentes datas até ao final do Verão. Entre os destaques mais próximos estão também o arroz de marisco (13 e 14 de Junho) e o arroz de cabrito com cogumelos (20 e 21 de Junho).
Aqui, o interesse está menos no efeito novidade e mais na recuperação de uma relação regular com pratos enraizados na tradição. A proposta pode não reinventar Vítor Sobral, mas reafirma uma dimensão da sua cozinha há muito reconhecível: a valorização de receitas portuguesas clássicas num registo de partilha e continuidade.
No Boubou’s, a nova fase ganha forma através da nova carta e de André Lança Cordeiro
Depois da saída de Louise Bourrat e da entrada de André Lança Cordeiro, mudança que o Mesa Marcada acompanhou em Abril, começam agora a surgir os primeiros sinais concretos da nova identidade do restaurante.
Numa mensagem enviada aos clientes do restaurante, Alexis Bourrat e André Lança Cordeiro falam de um ‘novo capítulo’, enquanto a nova carta sugere uma transição do registo fine dining mais recente para uma abordagem de bistrot contemporâneo.
A ementa revela referências claras ao universo de Lança Cordeiro, incluindo pratos como pâté en croûte, foie gras e o Paris-Brest, propostas que remetem para um repertório já reconhecível do chef no Essencial, que continua a liderar em paralelo com esta nova etapa no Boubou’s. A isso juntam-se ovos estrelados com beurre blanc, linguado meunière, o “verdadeiro” cordon bleu ou bife Rossini, compondo uma carta que troca algum experimentalismo por uma ideia de conforto clássico, tecnicamente afinado.
O menu funciona assim como primeiro indicador palpável de uma mudança que ainda agora começa. Mais do que um simples ajuste, percebe-se uma tentativa de afirmação progressiva de linguagem própria — e, para quem acompanhou o Essencial, há sinais suficientemente claros para justificar atenção.
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