Dominic Sessa como jovem Anthony Bourdain no filme Tony, em cozinha em movimento com outros cozinheiros em fundo desfocado
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O que já se sabe sobre Tony, o novo filme sobre Anthony Bourdain?

Já há trailer, primeiras imagens e detalhes sobre “Tony”, o novo filme sobre Anthony Bourdain. Um biopic ficcional centrado na juventude do chef, bem diferente do documentário “Roadrunner”.

Anthony Bourdain vai regressar ao grande ecrã, mas não sob a forma de documentário. Depois de Roadrunner (2021), o filme de Morgan Neville que procurou revisitar a vida, a carreira e a morte do cozinheiro, escritor e apresentador norte-americano, está agora em produção Tony, uma longa-metragem de ficção da A24 centrada num período muito mais específico — e menos conhecido — da sua juventude.

Segundo avançou o The Guardian, o filme situa-se no verão de 1975, quando Bourdain tinha 19 anos e trabalhava em Provincetown, em Cape Cod, muito antes de Kitchen Confidential, da CNN ou da consagração mediática. Em vez de uma biografia total, a opção passa por uma espécie de capítulo de origem: o momento em que cozinha, ambição, escrita e identidade começam a cruzar-se.

A realização está a cargo de Matt Johnson, cineasta responsável por BlackBerry, um filme que se destacou precisamente por evitar o formato de biopic convencional. O jovem Bourdain será interpretado por Dominic Sessa (Os Excluídos), enquanto Antonio Banderas assume o papel de um chef e mentor que terá influência decisiva nessa fase inicial.

O primeiro trailer já foi revelado e indica um tom mais cru e formativo do que celebratório, focado num Bourdain ainda longe de se tornar figura televisiva global. Uma das frases mais destacadas — “I’m not a cook, I’m a writer” — sugere que o filme procurará explorar a tensão entre cozinha e escrita que mais tarde se tornaria central na sua persona pública.

Ao contrário de Roadrunner, que utilizava entrevistas, arquivo e uma abordagem retrospectiva (não isenta de polémica, nomeadamente pelo uso de inteligência artificial para recriar a voz de Bourdain em certas passagens), Tony será uma dramatização ficcional baseada em elementos reais. Ou seja: não pretende ser uma reconstituição documental rigorosa, mas antes uma interpretação cinematográfica de um período decisivo da sua formação.

Essa diferença é relevante. Enquanto Roadrunner tentava responder à pergunta “quem foi Anthony Bourdain?”, este novo projecto parece mais interessado em explorar “como começou Anthony Bourdain?”.

Até agora, a principal discussão em torno do filme não passa tanto por questões tecnológicas ou éticas, como aconteceu com o documentário, mas antes pela própria ideia de transformar Bourdain — uma figura frequentemente avessa a mitificações fáceis — numa narrativa de origem mais próxima de um certo modelo de cinema norte-americano. Ainda assim, o facto de o projecto se concentrar num recorte temporal limitado, em vez de tentar condensar toda a sua vida, poderá reduzir alguns dos riscos mais óbvios de simplificação.

Não há ainda data prevista para Portugal, nem confirmação se terá estreia em sala ou apenas em streaming.

Para o público interessado em gastronomia, e particularmente para quem via em Bourdain não apenas um cozinheiro mediático mas também um escritor e observador do quotidiano, Tony poderá revelar-se mais interessante se conseguir evitar uma visão romantizada e captar a inquietação, a irreverência e a formação de carácter de um jovem ainda em construção.

No fundo, não será “a história definitiva” de Anthony Bourdain — mas poderá funcionar como uma hipótese dramatizada sobre o seu princípio.


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