O grupo 100 Maneiras mudou de mãos. Depois de 17 anos, Ljubomir Stanisic, Nuno Faria e Nelson Santos passaram os restaurantes 100 Maneiras, Bistro 100 Maneiras e Carnal Gastrobar a novos proprietários, deixando a gerência e gestão dos espaços no início de 2026.
Segundo o comunicado divulgado esta sexta-feira, a operação foi feita para uma empresa liderada por Jamuna Subedi, Dhurba Sapana, Niraj Subedi e Kismita Subedi, apresentados como proprietários de um grupo com “mais de cem restaurantes” em vários mercados internacionais, incluindo em Lisboa o Las Ficheras e a UMA Marisqueira. Em Portugal, a ligação a vários espaços de restauração é rastreável sobretudo através do nome de Dhurba Raj Subedi; já a dimensão internacional anunciada não surge, para já, claramente documentada em fontes públicas facilmente acessíveis.
Num texto mais próximo de uma carta de despedida do que de um anúncio empresarial tradicional, os fundadores descrevem este momento como “o fim de um ciclo, mas também um início”, sublinhando que acompanharam a passagem “para garantir uma transição suave e a integração da equipa”.
Por trás do tom emotivo, o essencial é claro: o grupo criado em torno de Ljubomir Stanisic deixa de estar nas mãos dos seus fundadores, encerrando um capítulo iniciado em 2004, quando o chef abriu o primeiro 100 Maneiras em Cascais, e que viria depois a expandir-se para Lisboa com o Bistro 100 Maneiras, o actual 100 Maneiras e, mais recentemente, o Carnal.
No próprio comunicado, os antigos responsáveis revisitam esse percurso entre conquistas e dificuldades, recordando prémios, a estrela Michelin, a pandemia, dívidas e perdas mais recentes, incluindo a perda da estrela e o incêndio no Carnal já depois da transferência para o novo grupo.
A venda surge num contexto em que já existiam sinais públicos de pressão financeira. Em 2024, o grupo tentou captar 500 mil euros através da plataforma Goparity, numa operação apresentada como forma de reforçar tesouraria e reestruturar dívida bancária. A campanha acabou por não avançar como previsto, deixando visível um contexto financeiro mais exigente.
Apesar da mudança de controlo, permanecem dúvidas importantes sobre o futuro da marca e sobre o papel de Ljubomir Stanisic nesta nova fase. O comunicado confirma a saída do chef da gestão, mas não esclarece de forma inequívoca se manterá algum papel estratégico, criativo, simbólico ou de consultoria.
Essa questão ganha particular relevância porque o valor do 100 Maneiras sempre esteve profundamente ligado à figura pública, criativa e mediática de Ljubomir. Mais do que um grupo de restauração, o 100 construiu-se durante quase duas décadas como uma marca autoral, fortemente associada ao percurso e personalidade do seu fundador.
A principal interrogação passa, por isso, por perceber quanto valerá o 100 Maneiras enquanto marca sem Ljubomir Stanisic como rosto central — e se esta mudança representa apenas uma transição empresarial ou uma transformação mais profunda da identidade do projecto.
Para já, o novo grupo assume o controlo de três das marcas mais reconhecíveis da restauração lisboeta das últimas duas décadas. O futuro dirá até que ponto o 100 continuará a ser percebido como o mesmo projecto, ou se esta operação marca o início de uma nova vida — com outro dono, outra estrutura e, eventualmente, outra identidade.
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