Depois de ter deixado o Feitoria em Junho do ano passado, João Rodrigues está de volta aos fogões em Lisboa, tendo acabado de abrir o Canalha, na Rua da Junqueira (mais perto de Belém, a seguir à Cordoaria) um restaurante de 40 lugares, com um balcão com dez lugares. “Para já, estamos ainda a aceitar os clientes de forma mais controlada, mas temos a abertura oficial prevista para dia 7 de Novembro”, adiantou o chefe ao Mesa Marcada. Não se julgue, porém, que quem for ao Canalha vai encontrar a cozinha que fez com que João Rodrigues, de 46 anos de idade, merecesse uma estrela Michelin no Feitoria: “Vou fazer uma cozinha de produto, de partilha, com pratos do dia ao almoço, muito acessível, com receitas conhecidas, mas sem revivalismos”, afirma.
Neste período em que esteve sem restaurante, o chefe promoveu uma série de “residências” por todo o país, cozinhando com chefes e produtos locais, numa iniciativa ligada ao Projecto Matéria, que desenvolve há alguns anos. Para completar as 12 regiões que queria atingir ainda lhe faltam duas, programadas para Novembro e Dezembro, parando depois ao longo de 2024 para “consolidar” o seu novo restaurante lisboeta. Com as “residências” completadas e a abertura do Canalha cumprem-se as duas primeiras etapas do projecto que delineou com os seus actuais sócios (o grupo Paradigma, que também detém em Lisboa o Ofício, o Lota D´Ávila e o Café do Paço, entre outros), que culminará, se tudo correr dentro do previsto, com a abertura, em final de 2024, do Monda, um restaurante para cerca de 24 pessoas, que está a ser edificado de raiz a partir de um espaço em ruínas, que contará com um pequeno hotel de oito quartos e um terreno de cinco hectares localizado numa zona de reserva agrícola.

Voltando a Lisboa e ao Canalha, João Rodrigues explica que foi buscar o nome a Espanha, onde o termo é usado muitas vezes para descrever o ambiente de restaurantes mais populares, mas também a maneira como se designa em Portugal “miúdos algo irrequietos e irreverentes”, características que gostava de ver associadas ao seu novo restaurante. “Quero que sejam as pessoas a dar cor à casa, com barulho e animação, com televisão na parede a transmitir jogos de futebol, sentadas ao balcão a comer uns pastéis de bacalhau ou uma salada russa e a beber um copo ou até na rua, porque vamos ter um postigo”, diz o chefe.
No entanto, o Canalha faz outro tipo de pratos. Na lista, há muita charcutaria espanhola de qualidade, 100% bolota, e também propostas, muitas delas para partilhar, como raspado de presa de vaca Simental (16,10€), tiradito de atum-rabilho de almadraba (24€), pimentos no forno (7,4€), alho-francês assado, pinhões e vinagrete de mel e limão (12€) molejas de borrego alentejano grelhadas (9,20€), tortilha aberta de camarão e cebola (17,90€), cogumelos selvagens, gema e papada de porco (24€), carabineiro salteado, ovo frito e batata Laura (29,5€), lula de toneira grelhada e manteiga de ovelha (25€, um de pratos que João Rodrigues faz há mais tempo), arroz frito de mar e montanha (16€) ou bitoque de lombo (16€). Há ainda a possibilidade de pedir carnes, peixes e mariscos cozidos, grelhados ou salteados, com preço ao peso. As sobremesas, a 4€, são bem típicas, com leite creme, mousse de chocolate ou pudim flan.
A cozinha vai ser assegurada no local pela carioca Lívia Orofino, que trabalhou quatro anos no Feitoria, tendo antes estado no Lasai, restaurante do chefe Rafael Costa e Silva que detém uma estrela Michelin no Rio de Janeiro. “Quero que o Canalha seja acessível a toda a gente, para quem quiser apenas petiscar ou um prato do dia – hoje, por exemplo, foram filetes de pescada com arroz de tomate – ou para quem quiser fazer refeições com outros pratos de outro género, mas que tenha sempre garantida a qualidade dos produtos e o modo como os tratamos”, conclui João Rodrigues.

Canalha
Morada: Rua da Junqueira, 207, Lisboa
Horários: Aberto para almoço e jantar. Fecha aos domingos e segundas-feiras. (A partir de Janeiro, está previsto ficar aberto todos os dias, ao longo de todo o dia)
Tel. 962 152 742
E-mail: geral@canalha.pt
Fotografias: Joana Freitas
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Sem dúvida um local a visitar nos tempos mais próximos.