O Residência está de volta. João Rodrigues e a sua equipa voltam à estrada com uma nova edição que promete uma abordagem mais internacional e estruturada. Depois do sucesso da primeira série, que funcionou como um elo de ligação para o que era para ser o empreendimento Monda – um restaurante/quinta/alojamento, em parceria com o grupo Paradigma, que acabou por não se concretizar – esta segunda edição surge com um formato renovado e um foco claro na reorganização e desenvolvimento da marca e iniciativas gastronómicas do chef João Rodrigues.
Desta vez, o Residência é uma iniciativa exclusivamente sua e da sua mulher Vânia Rodrigues, e conta com apoio institucional do Turismo de Portugal e de uma série de patrocinadores. A essência itinerante da experiência mantém-se, mas o formato evoluiu: em vez de doze eventos ao longo de um ano, serão sete, tantas quando as principais regiões de turismo do país: Lisboa, Alentejo, Algarve, Centro, Porto e Norte, Madeira e Açores.
Outra das grandes novidades é a presença de chefs internacionais, que virão cozinhar em conjunto com outros locais, proporcionando um diálogo gastronómico alicerçado na valorização da cultura gastronómica, territórios e produtos de cada região. Assim, ao longo de 2025, passarão pelos diversos Residência uma série de cozinheiros internacionais, entre consagrados e emergentes, como: Mitsuharu (“Micha”) Tsumura, do Maido, em Lima, Peru (Nº5 do World’s 50 Best 2024 e Nº1 Latin America’s 50 Best 2023); Ricard Camarena, do restaurante homónimo com duas estrelas Michelin, em Valência, Espanha; Manu Buffara, do Manu, em Curitiba, Brasil; Karime Lopez, da Gucci Osteria, de Massimo Bottura, em Florença, Itália; Maksut Askar, do Neolokal, em Istambul, Turquia; Marsia Taha Mohamed, do Arami, em La Paz, Bolivia; Nicanor Vieyra, do Olluco, em Moscovo, Russia; Mihai Toader, do Soro Lume, em Bucareste, Roménia e Nieves Barragan, do Sabor, em Londres, Inglaterra.
O arranque está marcado já para os dias 5 e 6 de abril, no Alentejo, nas zonas de Montemor-o-Novo e Grândola. Esta etapa contará com a participação dos chefs Manu Buffara (Manu Buffara, Curitiba, Brasil) e Maksut Askar (Neolokal, Istambul, Turquia), que se juntarão a Filipe Ramalho, do Páteo Real, em Alter do Chão. O evento incluirá visitas a produtores locais, como A Cerquinha, uma iniciativa de hortícolas, frutos e ervas aromáticas de Rita Pacheco, e o arrozal do Avô Quim, em Melides. Os ingredientes recolhidos servirão de base para os menus criados pelos chefs convidados.
No primeiro dia, os participantes visitarão a Herdade do Freixo do Meio, em Montemor-o-Novo, onde serão recebidos pelo fundador e impulsionador desta exploração de agricultura regenerativa, Alfredo Sendim, antes do jantar no Sublime Comporta. O menu exclusivo contará com cerca de seis pratos inéditos, concebidos para esta ocasião com produtos da região. No segundo dia, o evento culmina num almoço dedicado à gastronomia tradicional alentejana, preparado pelos chefs João Rodrigues e Filipe Ramalho.
Os bilhetes para os eventos no Alentejo já estão disponíveis: o jantar no Sublime Comporta, no dia 5 de abril, tem um custo de 150€, enquanto o almoço no dia 6 custa 70€, ambos com tudo incluído.
Os chefs participantes na 1ª etapa, no Alentejo: Maksut Askar, Manu Buffara e Filipe RamalhoAlfredo Sendim, Herdade do Freixo do Meio
Através desta nova abordagem, o Residência procura reforçar a sua identidade enquanto programa independente, capaz de criar pontes entre a gastronomia portuguesa e internacional, sempre com um pé assente na origem dos produtos e no contacto direto com quem os produz. Depois do Alentejo, a segunda Residência acontecerá em Lisboa, nos dias 14 e 15 de junho, e o percurso seguirá por todo o país até março de 2026.
“Queremos que o Residência seja uma plataforma de partilha, onde possamos dar voz aos produtores e chefs locais, mas também trazer novas perspetivas através dos nossos convidados internacionais”, referiu-nos João Rodrigues, com quem aproveitámos para trocar umas breves impressões sobre do contexto da iniciativa e de novos desafios. O que se segue é uma versão condensada dessa conversa.
Os novos desafios de João Rodrigues. Temos fine dining à vista?
A primeira edição do Residência teve um enorme sucesso, mas surgiu num contexto em que o foco estava no Monda, projecto que acabou por não se concretizar. Queres contextualizar essa evolução?
Sim, a primeira edição do Residência tinha essa premissa de manter viva a marca e preparar terreno para o Monda, que era o grande empreendimento que eu estava a desenvolver em parceria com a Paradigma. Na altura, sabíamos que o Monda ia demorar algum tempo a concretizar-se e, por isso, pensei em criar algo que mantivesse a dinâmica e me permitisse continuar a comunicar e a desenvolver iniciativas. Foi assim que nasceu a primeira edição do Residência.
Foi um ano intenso, muito desafiante, e grande parte da organização foi feita à medida que a actividade avançava. No final, pensávamos que ia coincidir com o arranque do Monda, mas as coisas evoluíram de outra forma. Pelo meio, surgiu o Canalha, que acabou por se tornar um trabalho importante. Infelizmente, o Monda revelou-se inviável e isso levou a uma renegociação da minha relação com a Paradigma. Hoje, mantemos a sociedade apenas para o Canalha.
A marca e a ideia do Residência sempre foram minhas, por isso fazia sentido retomar a iniciativa, desta vez apenas com a Vá (a mulher Vânia Rodrigues). Queremos estruturar melhor a nossa empresa, desenvolver os nossos próprios programas e, eventualmente, criar parcerias estratégicas. Aliás, em breve vamos anunciar um novo conceito, mas ainda não posso revelar detalhes.
Esse novo conceito está relacionado com o espaço da Comporta, onde foi o Canalha Comporta?
Não, o Canalha Comporta faz parte do universo Canalha e mantém-se dentro da parceria com a Paradigma. O que temos em vista agora é algo diferente.
A nossa ideia é consolidar várias marcas: temos o Canalha, o Residência, o programa Matéria, que queremos reforçar e dinamizar com mais acções, e depois há esse novo conceito de restauração, já com outros parceiros. Será um formato de fine dining e tem lançamento previsto para Abril de 2026. Não se chamará Monda, será um projecto com um nome e identidade próprios, criada por nós e pelos nossos novos parceiros.
Mas para já o foco está no Residência, em que vamos dar um cunho Internacional ao processo e chamar chefes internacionais um bocadinho de todo o lado para virem cozinhar connosco e conhecer o nosso país.
O Residência está de volta. João Rodrigues e a sua equipa voltam à estrada com uma nova edição que promete uma abordagem mais internacional e estruturada. Depois do sucesso da primeira série, que funcionou como um elo de ligação para o que era para ser o empreendimento Monda – um restaurante/quinta/alojamento, em parceria com o grupo Paradigma, que acabou por não se concretizar – esta segunda edição surge com um formato renovado e um foco claro na reorganização e desenvolvimento da marca e iniciativas gastronómicas do chef João Rodrigues.
Desta vez, o Residência é uma iniciativa exclusivamente sua e da sua mulher Vânia Rodrigues, e conta com apoio institucional do Turismo de Portugal e de uma série de patrocinadores. A essência itinerante da experiência mantém-se, mas o formato evoluiu: em vez de doze eventos ao longo de um ano, serão sete, tantas quando as principais regiões de turismo do país: Lisboa, Alentejo, Algarve, Centro, Porto e Norte, Madeira e Açores.
Outra das grandes novidades é a presença de chefs internacionais, que virão cozinhar em conjunto com outros locais, proporcionando um diálogo gastronómico alicerçado na valorização da cultura gastronómica, territórios e produtos de cada região. Assim, ao longo de 2025, passarão pelos diversos Residência uma série de cozinheiros internacionais, entre consagrados e emergentes, como: Mitsuharu (“Micha”) Tsumura, do Maido, em Lima, Peru (Nº5 do World’s 50 Best 2024 e Nº1 Latin America’s 50 Best 2023); Ricard Camarena, do restaurante homónimo com duas estrelas Michelin, em Valência, Espanha; Manu Buffara, do Manu, em Curitiba, Brasil; Karime Lopez, da Gucci Osteria, de Massimo Bottura, em Florença, Itália; Maksut Askar, do Neolokal, em Istambul, Turquia; Marsia Taha Mohamed, do Arami, em La Paz, Bolivia; Nicanor Vieyra, do Olluco, em Moscovo, Russia; Mihai Toader, do Soro Lume, em Bucareste, Roménia e Nieves Barragan, do Sabor, em Londres, Inglaterra.
O arranque está marcado já para os dias 5 e 6 de abril, no Alentejo, nas zonas de Montemor-o-Novo e Grândola. Esta etapa contará com a participação dos chefs Manu Buffara (Manu Buffara, Curitiba, Brasil) e Maksut Askar (Neolokal, Istambul, Turquia), que se juntarão a Filipe Ramalho, do Páteo Real, em Alter do Chão. O evento incluirá visitas a produtores locais, como A Cerquinha, uma iniciativa de hortícolas, frutos e ervas aromáticas de Rita Pacheco, e o arrozal do Avô Quim, em Melides. Os ingredientes recolhidos servirão de base para os menus criados pelos chefs convidados.
No primeiro dia, os participantes visitarão a Herdade do Freixo do Meio, em Montemor-o-Novo, onde serão recebidos pelo fundador e impulsionador desta exploração de agricultura regenerativa, Alfredo Sendim, antes do jantar no Sublime Comporta. O menu exclusivo contará com cerca de seis pratos inéditos, concebidos para esta ocasião com produtos da região. No segundo dia, o evento culmina num almoço dedicado à gastronomia tradicional alentejana, preparado pelos chefs João Rodrigues e Filipe Ramalho.
Os bilhetes para os eventos no Alentejo já estão disponíveis: o jantar no Sublime Comporta, no dia 5 de abril, tem um custo de 150€, enquanto o almoço no dia 6 custa 70€, ambos com tudo incluído.
Através desta nova abordagem, o Residência procura reforçar a sua identidade enquanto programa independente, capaz de criar pontes entre a gastronomia portuguesa e internacional, sempre com um pé assente na origem dos produtos e no contacto direto com quem os produz. Depois do Alentejo, a segunda Residência acontecerá em Lisboa, nos dias 14 e 15 de junho, e o percurso seguirá por todo o país até março de 2026.
“Queremos que o Residência seja uma plataforma de partilha, onde possamos dar voz aos produtores e chefs locais, mas também trazer novas perspetivas através dos nossos convidados internacionais”, referiu-nos João Rodrigues, com quem aproveitámos para trocar umas breves impressões sobre do contexto da iniciativa e de novos desafios. O que se segue é uma versão condensada dessa conversa.
Os novos desafios de João Rodrigues. Temos fine dining à vista?
A primeira edição do Residência teve um enorme sucesso, mas surgiu num contexto em que o foco estava no Monda, projecto que acabou por não se concretizar. Queres contextualizar essa evolução?
Sim, a primeira edição do Residência tinha essa premissa de manter viva a marca e preparar terreno para o Monda, que era o grande empreendimento que eu estava a desenvolver em parceria com a Paradigma. Na altura, sabíamos que o Monda ia demorar algum tempo a concretizar-se e, por isso, pensei em criar algo que mantivesse a dinâmica e me permitisse continuar a comunicar e a desenvolver iniciativas. Foi assim que nasceu a primeira edição do Residência.
Foi um ano intenso, muito desafiante, e grande parte da organização foi feita à medida que a actividade avançava. No final, pensávamos que ia coincidir com o arranque do Monda, mas as coisas evoluíram de outra forma. Pelo meio, surgiu o Canalha, que acabou por se tornar um trabalho importante. Infelizmente, o Monda revelou-se inviável e isso levou a uma renegociação da minha relação com a Paradigma. Hoje, mantemos a sociedade apenas para o Canalha.
A marca e a ideia do Residência sempre foram minhas, por isso fazia sentido retomar a iniciativa, desta vez apenas com a Vá (a mulher Vânia Rodrigues). Queremos estruturar melhor a nossa empresa, desenvolver os nossos próprios programas e, eventualmente, criar parcerias estratégicas. Aliás, em breve vamos anunciar um novo conceito, mas ainda não posso revelar detalhes.
Esse novo conceito está relacionado com o espaço da Comporta, onde foi o Canalha Comporta?
Não, o Canalha Comporta faz parte do universo Canalha e mantém-se dentro da parceria com a Paradigma. O que temos em vista agora é algo diferente.
A nossa ideia é consolidar várias marcas: temos o Canalha, o Residência, o programa Matéria, que queremos reforçar e dinamizar com mais acções, e depois há esse novo conceito de restauração, já com outros parceiros. Será um formato de fine dining e tem lançamento previsto para Abril de 2026. Não se chamará Monda, será um projecto com um nome e identidade próprios, criada por nós e pelos nossos novos parceiros.
Mas para já o foco está no Residência, em que vamos dar um cunho Internacional ao processo e chamar chefes internacionais um bocadinho de todo o lado para virem cozinhar connosco e conhecer o nosso país.
Foto de abertura: Joana Freitas
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