Restaurantes

World’s 50 Best Restaurants nomeia nova responsável para Espanha e Portugal

Marta Fernández Guadaño é a nova líder ibérica do júri do 50 Best Restaurants. Conheça o perfil da nova responsável e o que pode significar para os restaurantes portugueses.

Sediada em Madrid, Marta Fernández Guadaño tem quase 30 anos de carreira no jornalismo, especializada em negócios, economia e gastronomia. Durante muitos anos integrou a redação da revista financeira Expansión e, em 2011, fundou o site Gastroeconomy, referência no cruzamento entre a economia e a restauração. Atualmente, colabora como freelancer com várias publicações espanholas, entre elas a Elle GourmetTapas e Fuera de Serie, e participa no mestrado do Basque Culinary Center, em San Sebastián.

A nova responsável sucede a Cristina Jolonch, que desempenhou o cargo durante quase uma década. Em comunicado, William Drew, diretor de conteúdo da 50 Best, sublinha:

“Estamos muito felizes em receber Marta na rede 50 Best. É alguém que conheço e respeito há muitos anos e não tenho dúvidas de que irá trazer a sua integridade, o seu profundo conhecimento e a vasta rede de contactos para a nossa organização, supervisionando uma região que é o lar de alguns dos restaurantes mais influentes e importantes do mundo.”

O sistema da 50 Best Restaurants Academy está dividido em 28 regiões geográficas, cada uma com um Academy Chairresponsável pela seleção de votantes — chefs, restauradores, jornalistas e gourmets — que compõem o painel de 1120 membros.

Do ponto de vista pessoal, a nomeação parece acertada. Conheço Marta Fernández há muitos anos e, para além de ser uma excelente profissional, é uma pessoa íntegra e muito respeitada no país vizinho (e o mesmo por quem a conhece por cá). Talvez pela sua origem galega — embora esteja radicada em Madrid há décadas —, não sofre da chamada “clubite” nem é daqueles madrilenos que encaram a capital como centro do mundo ou da Península. De igual modo, mantém-se equidistante das diferentes “capelinhas” gastronómicas, não hesitando em destacar ou avaliar com rigor o trabalho dos restaurantes, independentemente da sua dimensão ou notoriedade. Por fim, embora não seja presença assídua por terras lusas, Marta acompanha com atenção o panorama gastronómico nacional e visita-nos com alguma regularidade. Daí acreditar que, ao aceitar esta nova responsabilidade como líder ibérica do júri do 50 Best, passará a vir cá ainda com mais frequência.

Se assim for, e se conseguir influenciar os membros do júri espanhol a visitarem mais Portugal e a conhecerem melhor a nossa gastronomia, a nomeação poderá eventualmente trazer benefícios aos restaurantes portugueses. Contudo, não havendo alterações previstas no sistema de votação ou na composição das regiões — que mantém Portugal agrupado com uma das maiores potências gastronómicas do mundo —, continuará a não ser fácil haver mudanças significativas que permitam, por exemplo, ter mais restaurantes portugueses no top 100 (já para não falar do top 50). Isto apesar da notável resistência que o Belcanto (actual nº42) tem demonstrado ao longo dos últimos anos, mantendo-se consistentemente entre os melhores classificados. Pequenas mudanças, por vezes, começam assim.


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