Notas

Pigmeu da Ribeira ameaçado de expulsão do Mercado da Ribeira por 300 contraordenações que diz nunca ter recebido

Mercearia de produtos biológicos enfrenta caducidade de licença após pressão do Time Out Market, segundo denuncia proprietário Miguel Peres

O Pigmeu da Ribeira, mercearia especializada em produtos portugueses biológicos situada no Mercado da Ribeira, encontra-se em risco de encerramento após a Câmara Municipal de Lisboa (CML) ter apresentado a caducidade da sua licença em agosto. A decisão baseia-se, segundo o comunicado divulgado pelo proprietário Miguel Azevedo Peres, em 300 contraordenações que “nunca lhe foram enviadas, nem processadas pela CML”.

Miguel Peres, que fundou o projeto em 2021 – no espaço cedido pelo Freixo do Meio – após o sucesso da transformação do restaurante Pigmeu (Campo de Ourique) em mercearia durante a pandemia, contesta frontalmente a decisão. “Se a licença não tivesse consumo no local, certamente não teria investido nesta localização desde 2021”, afirma o proprietário, sublinhando que a licença emitida pela CML em 2021 permitia explicitamente o consumo no local.

Conflito entre comércio tradicional e concessão privada

A questão central prende-se com o facto de a loja ter alguns lugares sentados onde é possível consumir produtos da mercearia. Segundo o comunicado, a CML começou em 2022 a tentar restringir esta atividade, alegando a existência de um contrato de 2011 que impediria este tipo de concorrência com a MC – Mercados da Capital, Lda, empresa subsidiária da Time Out Plc, que explora a outra metade do Mercado da Ribeira.

Miguel Peres revela que “a alteração do comportamento da CML surge após várias missivas da Time Out Market”, nas quais a empresa teria solicitado “diretamente ao presidente Carlos Moedas que o âmbito da licença do Pigmeu fosse reduzido e que cessasse a venda de produtos de pastelaria biológicos com consumo no local”. “Não acredito que esta pressão não tenha influenciado as decisões administrativas da Câmara”, afirma.

Proposta de resolução rejeitada

O proprietário garante ter-se disponibilizado para resolver a situação de forma amigável com Diogo Moura, Vereador da Economia da CML. A resposta terá sido, segundo o comunicado, uma sugestão para que o Pigmeu se candidatasse a lugares disponíveis em mercados de outras freguesias através de concurso público – proposta que Miguel Peres considera “injusta”.

O Pigmeu da Ribeira emprega cinco pessoas e destaca-se por apoiar pequenos produtores biológicos, organizar aulas com produtores e ter “público local (lisboetas) num mercado tomado pelo turismo de massas”, como refere o comunicado.

Próximos passos

Miguel Peres anuncia que vai “acionar todas as formas disponíveis para se opor a esta injustiça”, incluindo recursos legais já em curso e a apresentação do caso na Assembleia Municipal de Lisboa. Hoje lançou uma petição que já conta, segundo o comunicado, com o apoio de mais de 150 personalidades da área gastronómica, nacionais e internacionais.

O Pigmeu da Ribeira é uma extensão do conhecido restaurante com mais de 10 anos em Campo de Ourique, distinguido com Bib Gourmand pelo Guia Michelin e um Sol do Guia Repsol, conhecido pelo aproveitamento integral do porco e pela defesa de práticas sustentáveis na gastronomia.

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