O Festival Raízes Vivas regressa a Santarém nos dias 25 e 26 de Setembro, para uma segunda edição que cresce em dimensão e muda de cenário. Depois da estreia, em 2025, na aldeia avieira das Caneiras, o evento instala-se este ano nas Portas do Sol, no centro histórico da cidade, com um programa que cruza gastronomia, agricultura, produtores, artesanato, ofícios tradicionais, música e outras manifestações da cultura ribatejana.
A componente gastronómica volta a ter curadoria de Rodrigo Castelo, chef do restaurante Ó Balcão, em Santarém, distinguido com uma estrela michelin e Prémio Especial Destaque do Ano do Mesa Marcada em 2021. O chef local esteve também na origem do conceito do Raízes Vivas, pensado como uma forma de valorizar e transmitir o património da região, colocando em diálogo cozinha, produto, biodiversidade e sustentabilidade.

Nos Jardins da Gastronomia, Rodrigo Castelo reúne este ano 20 chefs de diferentes regiões do país: Vítor Adão (Plano, Lisboa), Lídia Brás (Stramuntana, Vila Nova de Gaia), Miguel Laffan (MAPA, Montemor-o-Novo), Octávio Freitas(Desarma, Funchal), Rui Lima Santos (Deselegante, Santarém), João Simões (Casta 85, Alenquer), Diogo Caetano(Terruja, Mira de Aire), Vânia Jarimba (Magma, Ponta Delgada), Maurício Lage (Amassa, Santarém), José Lino, António Loureiro (A Cozinha, Guimarães), António Queiróz Pinto (Taberna Lura, Baião), André Cruz (Feitoria, Lisboa), Justa Nobre (O Nobre, Lisboa), Lígia Santos, Noélia Jerónimo (Noélia, Cabanas de Tavira), Ricardo Luz(Authentic, Almancil), Joana Candeias (À Lagardère) e Miguel Silva (A Varanda do Parque, Santarém). A estes junta-se o próprio Rodrigo Castelo. Participam ainda a Associação Académica de Santarém e a Sociedade Recreativa da Romeira.

Mais do que reunir cozinheiros conhecidos, a proposta gastronómica procura estabelecer uma ligação directa entre aquilo que se cozinha e alguns dos desafios do território. Entre os produtos em destaque encontram-se o touro bravo e a raça preta, mas também o javali e espécies do ecossistema fluvial como o siluro, procurando dar utilização gastronómica a recursos invasores ou subaproveitados e relacionar alimentação, paisagem e equilíbrio ambiental.
Essa relação prolonga-se no Palco Futuro, que recebe ao longo dos dois dias 11 sessões com chefs, produtores, investigadores e outros profissionais. Criação de animais, ecossistemas fluviais, apicultura, gestão da água, olival e agricultura regenerativa estão entre os assuntos em debate, com participação, entre outras entidades, da Escola Superior Agrária e da Escola Superior de Saúde de Santarém.
Na sexta-feira, Rodrigo Castelo participa numa conversa dedicada ao papel do touro bravo no ecossistema, enquanto António Queiróz Pinto aborda a relação entre bovinos, paisagem e equilíbrio ambiental. No sábado, Castelo regressa ao palco para falar sobre o siluro e o equilíbrio dos ecossistemas fluviais, seguindo-se uma conversa com Vítor Adão sobre o javali, a caça e a sua relação com o território.
«O Raízes Vivas nasceu da vontade de proteger aquilo que nos identifica e de garantir que esse conhecimento não se perde», explica Rodrigo Castelo. Para o chef, «cozinhar o Ribatejo é respeitar o produto, o território e as suas histórias, mas é também encontrar novas respostas para o futuro».
Fora dos fogões, a Praça de Produtores, Artesãos & Agricultores reúne queijeiros, apicultores, oleiros, cesteiros, conserveiros, produtores de azeite e doceiros. A Rua dos Ofícios mostra profissões ligadas ao universo taurino e as Hortas Regenerativas propõem actividades em torno da agricultura biológica e regenerativa, agroecologia, compostagem, gestão da água e conservação de sementes tradicionais.
Há também música. Os Três Bairros, com Mafalda Veiga e Marco Rodrigues como convidados, actuam sexta-feira; no sábado passam pelo Palco Raízes a Orquestra Típica Escalabitana e os Deixa Andar. O DJ Boinas encerra ambas as noites. Workshops, jogos tradicionais e animação itinerante completam o programa.
Promovido pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, em parceria com a Câmara Municipal de Santarém e com o apoio do PR Alentejo 2030, o Raízes Vivas pretende funcionar também como instrumento de valorização turística da região. Para José Manuel Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo, iniciativas deste género permitem transformar o património cultural, gastronómico e agrícola do Ribatejo num factor de desenvolvimento e criar «novas razões para visitar, permanecer e regressar» à região.
A componente solidária mantém-se: o valor das vendas dos pratos reverte para a Associação Raízes Vivas, a Académica de Santarém e a Sociedade de Recreio e Educativa da Romeira. A II Grande Corrida de Toiros Raízes Vivas realiza-se no sábado, às 15h45, na Ribeira de Santarém, revertendo neste caso as receitas para o Santuário do Santíssimo Milagre.
O festival decorre sexta-feira, 25 de Setembro, das 16h00 às 02h00, e sábado, 26 de Setembro, das 12h00 às 02h00. O bilhete diário custa 7,50 euros e o passe para os dois dias 10 euros, com entrada gratuita para crianças até aos 12 anos.
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