O chef João Rodrigues prepara-se para abrir, na costa alentejana, aquele que descreve como o projecto mais desafiante da sua carreira. Chama-se MOGO e deverá abrir portas em Maio, no estuário do Sado, a poucos metros do Atlântico, integrado no projecto hoteleiro Na Praia, próximo da Comporta.
Depois de mais de uma década à frente do Feitoria, da criação do Projecto Matéria, da abertura do Canalha e do projecto itinerante Residência, o MOGO assinala um momento particularmente relevante no percurso de João Rodrigues. Trata-se do seu primeiro restaurante gastronómico totalmente independente, depois de um anterior projecto próprio, o Monda, ter sido anunciado mas não se ter concretizado. Importa ainda sublinhar que, apesar de estar inserido num projecto hoteleiro, o MOGO funciona de forma autónoma, em parceria, num modelo distinto daquele que teve no Feitoria – onde desempenhava funções apenas como chef executivo – tendo sido pensado de raiz como um espaço de investigação gastronómica assumidamente ligado ao território onde se insere.
De acordo com a informação divulgada, o conceito do MOGO resulta de dois anos de trabalho de campo na costa alentejana, num processo contínuo de observação, mapeamento e interpretação da paisagem. O menu será estruturado a partir de oito ecossistemas, organizados em três grandes famílias — Água, Duna e Terra — que funcionam como método culinário e não apenas como inspiração conceptual. Cada prato nasce de uma paisagem concreta, respeitando os seus produtos, ciclos e limites naturais.
Localizado numa península entre o mar e o rio, o restaurante assume a água como fio condutor, mas dá também um destaque pouco comum à duna, entendida como um ecossistema vivo, complexo e pouco explorado pela gastronomia contemporânea. Plantas autóctones, pequenas espécies marinhas e outros elementos habitualmente ausentes dos menus de autor passam a integrar a leitura gastronómica proposta pelo chef.

O MOGO surge de um desafio lançado por José Sousa Uva, mais conhecido pela sua ligação ao São Lourenço do Barrocal, que convidou João Rodrigues a desenvolver o projecto gastronómico no Na Praia. O empreendimento hoteleiro foi pensado ao longo de mais de uma década e assenta numa visão de longo prazo centrada na conservação do território, arquitectura e responsabilidade ambiental (na imagem de cima, vista exterior de uma das suites do hotel). O projecto tem também sido associado, em diversas notícias, a Sara Ortega, uma das principais accionistas do grupo Inditex, detentor da Zara.
Fundado e liderado por João Rodrigues, o MOGO funciona como extensão natural do Projecto Matéria, criado em 2016 por João e Vânia Rodrigues, aplicando agora num restaurante permanente o trabalho de investigação, a relação com produtores e a reflexão sobre sistemas alimentares que o Matéria tem vindo a desenvolver em todo o país.

João Rodrigues venceu por diversas vezes os Prémios Mesa Marcada, integrando este ano a Mesa de Honra, estatuto que reúne vencedores de edições anteriores e que os exclui temporariamente das votações competitivas, reconhecendo um percurso já consolidado e de influência transversal na gastronomia portuguesa.
Com abertura prevista para Maio, o MOGO posiciona-se desde já como um dos projectos mais ambiciosos da nova restauração portuguesa, cruzando investigação, território e cozinha autoral num regresso assumido de João Rodrigues a uma abordagem mais conceptual, pessoal e exigente.
Discover more from Mesa Marcada
Subscribe to get the latest posts sent to your email.



0 comments on “MOGO: João Rodrigues estreia o seu primeiro restaurante gastronómico na costa alentejana”