Restaurantes

Henrique Sá Pessoa e Nelson Amorim em novo projecto no Cairo 

A afirmação de Henrique Sá Pessoa fora de portas continua de vento em popa. Depois da abertura de restaurantes, sempre em hotéis, em Macau, Amesterdão e Londres, o chef português aparece agora associado ao restaurante Maré Social, no novo resort de luxo da cadeia Marriot, na cidade do Cairo, Egipto. 

“O Maré Social é um restaurante e bar intimista ao estilo taberna, inspirado no Chef duas estrelas Michelin Henrique Sá Pessoa. Este restaurante e bar de petiscos propõe uma cozinha portuguesa com um toque moderno num ambiente casual para um público sofisticado”. Em tradução livre é esta a descrição do projecto no site do The Westin Cairo Golf Resort & Spa, Katameya Dunes, com abertura oficial prevista para o início de Maio. 

Tropecei com a novidade no Instagram, por acaso, e após contacto com Henrique Sá Pessoa o chef português começou por explicar ao Mesa Marcada que se trata de um projecto que lhe chegou “através de um agente, ainda antes da pandemia” e que a sua ligação é totalmente diferente com a dos outros exemplos a que se associou fora do país, onde assina a carta, está presente com alguma regularidade e normalmente tem na cozinha profissionais que trabalharam com ele. Neste caso, afirma, “não se trata de um restaurante com a sua assinatura”, o seu papel foi mais de curador. “Pediram-me aconselhamento, um conceito, se podia encontrar um chef, dar formação, e depois fazer a inauguração do restaurante”. 

O chef indicado por Sá Pessoa e que acabou por ser o escolhido pelo hotel foi Nelson Amorim, cozinheiro português já batido nestas andanças. Aliás, Amorim tem uma história curiosa que é reveladora de um certo interesse que a cozinha portuguesa começou a despertar na última década, um pouco por todo mundo. Depois de experiências na Madeira, Angola, Hong Kong e Macau – onde foi chefe de partida do Otto e Mezzo Bombana (1 estrela Michelin) – o jovem de Baião foi contratado para sub chef de um restaurante italiano em Bangkok, o Il Fumo, onde, pouco tempo depois, chegaria a chef principal. Porém, na altura, conseguiu impressionar os donos com uns pratos de cozinha portuguesa e convencê-los que era mais apelativo, a todos os níveis, ter um restaurante de inspiração lusa do que mais um italiano na cidade. O Il Fumo deu que falar localmente, chegou a convidar chefes portugueses para jantares a 4 mãos (estive presente num, com Vítor Matos) e só terminou mais recentemente por razões ligadas à pandemia. Entretanto, Nelson Amorim regressou a Portugal, ao Six Senses Douro Valley, e está agora então de partida para o Cairo para mais uma nova aventura.

Em relação ao Maré Social, embora apresentado como português, Sá Pessoa – que fará um jantar lá, com Nelson Amorim, nos dias 7, 8 e 9 de Maio –  fala mais num conceito “ibérico, mediterrâneo, adaptado aos produtos locais”. As cautelas prendem-se com a instabilidade local e com a dificuldade em garantir o fornecimento regular de certos produtos portugueses – dificuldade, aliás, que o próprio Amorim teve no passado, na capital tailandesa. 

O que não deixa de ser evidente, é que mesmo com reservas, nota-se que há uma apetência pelo conceito de cozinha portuguesa fora de Portugal e já não é só nos países com ligação ao país, ou no chamado mercado da saudade. 


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