Esta terça-feira, em Valência, foi divulgada a lista do World 50 Best Restaurants 2023, que teve como principais novidades, como já é sabido, a vitória do restaurante peruano Central, em Lima, e, sobretudo, no que é mais relevante para Portugal, o 25º lugar do Belcanto.
No primeiro caso, o do espaço de Virgílio Martinez e Pia León, trata-se da primeira vitória de um restaurante da América Latina e, também, da primeira vez que esta posição é alcançada por um restaurante fora do eixo Europa-EUA.
Igualmente no caso do Belcanto, de José Avillez, o resultado tem um enorme significado: primeiro, porque representa um grande salto na classificação (era 46° ). Depois, por ser também a melhor posição alguma vez alcançada pelo Belcanto nestas andanças e, por fim, por ser o melhor resultado de sempre de um espaço liderado por um chef português. O desfecho só não ainda mais estrondoso porque ficou a escassas 3 posições do 22º lugar do Vila Joya, em 2014.

Os lugares cimeiros dos restaurantes espanhóis
Não se pode dizer que a vitória do Central fosse inesperada, uma vez que segue mais ou menos a lógica dos anos anteriores em que quem ficou em 2º lugar acaba por subir ao 1º lugar no ano seguinte. Ainda assim, havia (como eu) que apostasse mais no DiverXo, não por uma questão de maior mérito (ambos o têm), mas por percepção. Contudo, mesmo não tendo desta vez conseguido a posição cimeira, Espanha (o país cujos restaurantes venceram mais vezes esta lista do The World 50 Best Restaurants Best), tem pelo menos 4 dos seus espaços em posições de destaque: Disfrutar, 2º lugar; DiverXo, 3º; Asador Etxebarri, 4º; Quique Dacosta Restaurante, 20º lugar de (grande subida e o seu melhor resultado de sempre); 22º Elkano e 31º Mugaritz (em queda mas sem deixar de ser um dos restaurantes que há mais anos faz parte da lista).
A impressionante gala em Valencia
Também nestas coisas dos grandes eventos, os espanhóis não brincam em serviço e investem rios de dinheiro. Tal como aconteceu com a impressionante cerimónia da Michelin de há dois anos, a gala do 50 Best teve lugar num dos edifícios do extraordinário complexo da Ciudad de las Artes y las Ciencias, onde se destacam uma série de obras do arquitecto local Santiago Calatrava (o mesmo da nossa Gare do Oriente ). E, embora o lugar não fosse o ideal para suportar as temperaturas que se fazem sentir nesta altura em Valencia, a organização meteu toda a carne no assador, na apresentação, com orquestra, interlúdios multimídia, ecrãs e led “à patrão” num auditório estrondoso; bem como na enorme sala decorada a perceito onde não faltou a presença dos seus patrocinadores e entidades oficiais, comida (ainda que não ao nível da Michelin), muita bebida e um “after party” muito concorrido (e regado).
O evento antes e pós-cerimónia é sobretudo um encontro entre pares e um espaço de convívio e de contactos, o que atrai pessoas de todo o mundo. Entre eles havia muitas caras de Portugal, de profissionais da agência da comunicação, a representantes de marcas, passando por gastrónomos, imprensa e afins, restauradores (e outras funções do meio) e chefes, claro. Dos últimos, além do mais destacado José Avillez (que levou o seu sub-chef e chef pasteleiro Américo dos Santos, a escançã Nádia Desidério e Mónica Bessone, Directora de comunicação do grupo), vi por lá Henrique Sá Pessoa, (Alma), Filipe Carvalho (50 Seconds), João Oliveira, do Bela Vista (Portimão) e Nelson Freitas o vencedor da final da etapa regional Ibérica de S.Pellegrino Young Chefs Awards. Além deles (e de mais alguém que deverei ter esquecido, oops) encontravam-se, também, Emanuel Minez e a sua mulher Angela, do Red Frog, eleito no ano passado o 40º melhor bar da lista do 50 Best Bars 2022.
Sim, houve muito investimento, uma certa fogueira de vaidades, muito suor, lágrimas e sorrisos amarelos, mas a verdade é que muitas destas pessoas ficaram vários dias na cidade visitando restaurantes, mercados e produtores da região, o que certamente trará resultados, imediatos e a médio longo prazo.
Voltando à cerimónia, outros destaques e prémios atribuídos
Pía Salazar do Nuema, Quito, Equador, recebeu o Prémio de Melhor Chef de Pastelaria do Mundo, patrocinado pela Sosa.
O Prémio Beronia de Melhor Sommelier do Mundo foi para a Miguel Ángel Millán (de quem sou grande fã), do Diverxo, Madrid
· Fyn na Cidade do Cabo ganhou o Prémio Flor de Caña de Restaurante Sustentável do ano.
· o Table, de Bruno Verjus (nº 10) em Paris levou para casa o Prémio de Maior entrada do ano. patrocinado pela Aspire Lifestyles
· Atomix (nº 8) em Nova Iorque, foi premiado com o prémio Villa Massa Maior Subida do ano. ascendendo 25 posições na lista
· O Alchemist (No.5) em Copenhaga ganhou o prémio Gin Mare Arte da Hospitalidade.
· E o Prémio Estrella Damm Escolha dos Chefes fou para Julien Royer de Odette, Singapura.
A noite celebrou ainda os homenageados com prémios especiais anunciados previamente, como os vencedores do “Champions of Change” Nora Fitzgerald Belahcen, fundadora da empresa social marroquina Amal, e Othón Nolasco e Damián Diaz, a dupla por trás do projeto de segurança alimentar No Us Without You LA.
Elena Reygadas, vencedora do The World’s Best Female Chef Award, Andoni Luis Aduriz do Mugaritz, vencedor do Icon Award, bem como o restaurante nova-iorquino Tatiana by Kwame Onwuachi, vencedor do Resy One To Watch Award, subiram também ao palco para receberam os seus troféus.
A lista:

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É um preciosismo mas o Belcanto subiu da posição 46° (e não da posição 47° – lapso na segunda linha do terceiro parágrafo) para 25°.