Menos de um mês depois de conquistar uma estrela Michelin, o restaurante principal do L’AND Vineyards (Montemor-o-Novo) volta a mudar de chef. A saída de David Jesus foi avançada ontem e, hoje, o hotel anuncia o regresso de Miguel Laffan à liderança do projecto.
Segundo a notícia de ontem do Boa Cama Boa Mesa do Expresso, David Jesus deixou o comando do Mapa — nome adoptado pelo restaurante na sua fase mais recente — semanas após a distinção, fechando um ciclo de dois anos que culminou na recuperação da estrela Michelin . Foi também sob a sua liderança que o espaço passou a designar-se Mapa, substituindo a anterior designação L’AND Vineyards, usada durante a fase de Miguel Laffan.
O chef, que vinha de um longo percurso ao lado de José Avillez, afirma sair com “o dever cumprido” e com uma equipa estruturada, apontando agora ao desenvolvimento do projecto familiar de padaria artesanal.
A confirmação do sucessor chega entretanto por via de comunicado: Miguel Laffan regressa ao L’AND Vineyards para assumir novamente a cozinha do Mapa . Trata-se de um regresso a uma casa onde esteve entre 2011 e 2019, período durante o qual construiu a base gastronómica do projecto e conquistou (e também perdeu, pelo meio) a estrela Michelin — então ainda sob a designação original do restaurante.
No comunicado, Laffan fala num “reencontro” e num projecto de médio prazo, com foco na valorização da cultura gastronómica portuguesa, em continuidade com a identidade do restaurante. A equipa mantém-se, incluindo o sub-chef Carlos Galhardas, figura de continuidade nas várias fases do projecto.
O contexto recente ajuda a enquadrar esta mudança. Miguel Laffan tinha saído do Intemporal poucos dias antes da última gala do Guia Michelin — na qual o restaurante entrou para o guia, mas sem estrela, algo que o próprio assumira como objectivo. Agora regressa a um palco onde já conhece bem os altos e baixos da distinção.
E é difícil ignorar esse padrão: o L’AND Vineyards conquista agora a estrela Michelin pela terceira vez, sendo que, nas duas anteriores, também com Laffan, houve tanto ganho como perda do reconhecimento. A actual sequência — estrela, saída do chef, regresso de um nome já associado a ciclos semelhantes — não sugere propriamente estabilidade, nem no projecto, nem no percurso recente do próprio chef.
Sem dramatismos, mas também sem grande surpresa, o restaurante principal do L’AND Vineyards entra assim em mais uma fase de transição. Com estrela novamente atribuída, resta perceber se desta vez o ciclo será mais longo do que os anteriores.
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