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Justa Nobre num novo congresso dedicado à cozinha no feminino

A partir de segunda-feira, e durante três dias, em Gijón, no principado das Astúrias, a cozinha vai mostrar-se exclusivamente no feminino através de apresentações, debates, mesas-redondas e outras actividades em que participam chefes de vários países, mas também produtoras agrícolas e pecuárias, chefes de sala, escanções, empresárias de restauração e jornalistas. Trata-se da primeira edição do FéminAs – Congresso Internacional de Gastronomia, Mulheres e Meio Rural, que contará com a presença portuguesa da chefe Justa Nobre, que se apresenta logo na manhã de segunda-feira, às 9.30h (hora de Portugal), do restaurante O Nobre, em Lisboa, tendo como tema “As minhas receitas são a minha história como mulher”. Esta e todas as apresentações do congresso podem ser acompanhadas em directo, mediante inscrição gratuita, através do gastrofeminas.com.

Justa Nobre adiantou ao Mesa Marcada que vai apresentar dois pratos na meia hora que lhe cabe no palco do congresso. “Tinha que ser a sopa de santola, um dos meus pratos mais conhecidos, que criei logo no início da minha carreira, quando quis ter uma sopa de marisco diferente das que conhecia, e uma sobremesa mais recente, que tem a ver com as minhas origens transmontanas, uma rabanada recheada com doce de castanha”. A chefe transmontana também será uma das responsáveis por um almoço a oito mãos, na terça-feira, juntamente com as asturianas Esther Manzano (restaurante Casa Marcial, duas estrelas Michelin, e La Salgar, em Gijón, uma estrela Michelin) e Lara Roguez (Kraken Art Food, Gijón) e ainda a colombiana Leo Espinosa (restaurante Leo, Bogotá). Ela vai fazer uma entrada que consiste num torricado de sardinha com mousse de tremoço e um prato principal de bacalhau confitado com alecrim, cuscus transmontanos, camarão e pera rocha. “Optei por levar sabores bem portugueses e populares, de festa”, explica justa Nobre.

Quanto às outras presenças no congresso, que está centralizado na Universidade Laboral de Gijón, além das já citadas, são de destacar nomes como Narda Lepes (Argentina, melhor chefe da América Latina nos 50 Melhores Restaurantes de 2020), Viviana Varese (Itália, restaurante VIVA, Milão, uma estrela Michelin), Najat Kaanache (restaurante Nur, Fez, Marrocos), Victoria Blamey (restaurante Mena, Nova Iorque) e diversas chefes espanholas como Lucía Freitas (A Tafona, Santiago de Compostela, uma estrela Michelin), Elena Lucas (La Lobita, Soria, uma estrela Michelin) ou Charo Carmona (Arte de Cozina, Málaga). Segundo a organização desta primeira edição do FéminAs, os principais objectivos do evento são dar maior visibilidade ao papel das mulheres na hotelaria e no sector primário, bem como aumentar a consciencialização social para a defesa da sustentabilidade, sobretudo nas comunidades rurais, onde é mais necessária.

De referir ainda que o congresso quer destacar o papel das mulheres como “guardiãs” de certos valores. Citando a organização: “Durante os últimos 20 anos, quando parecia que o único futuro e destino da cozinha estava na inovação e na criatividade, foram as mulheres que defenderam os conceitos e valores que agora triunfam na gastronomia mundial: identidade, autenticidade, território e produto de proximidade. Em muitos países, a cozinha elaborada por mulheres desempenhou e desempenha um papel fundamental para a sobrevivência cultural – quando não física – de muitos grupos humanos”. É neste evento que Portugal estará representado por Justa Nobre, que se diz “entusiasmada” por ter sido convidada. “Acho que é uma iniciativa importante, porque sempre me fez confusão esta separação entre homens e mulheres na cozinha e espero aprender mais sobre isso, além de trocar conhecimentos e experiências com outras cozinheiras”, conclui.

Fotografia retirada da página de Facebook de Justa Nobre

Nasceu em Lisboa em 1963. Licenciou-se em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa e trabalhou em diversos jornais (Semanário, Diário Popular e Diário de Lisboa) e, depois, na área de comunicação empresarial. Em 1997, começou a colaborar com a revista “Fortuna” na área de gastronomia e vinhos. Em 1999, criou a página “Boa Vida” para o “Diário de Notícias”, que coordenou até Janeiro de 2009, com algumas interrupções. Entre 2007 e 2019, foi coordenador do Projecto Gastronomia da Associação de Turismo de Lisboa e, nesse âmbito, director do festival gastronómico Peixe em Lisboa, continuando a escrever artigos sobre gastronomia e restaurantes em várias publicações.

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