Há a Costa Vicentina e há Lagos, há praias de beleza únicas e há restaurantes que merecem também a viagem. Entre as praias autênticas da Costa Vicentina e as falésias de Lagos, há boas mesas para descobrir – tantas delas com vistas que já valem a paragem –, entre sugestões mais tradicionais e outras menos ortodoxas, com sangue novo a abrir outros caminhos, além de menus estrelados.
Neste guia de restaurantes no Algarve, para este Verão de 2025, dividimos as propostas em três zonas para que seja mais simples navegar (por aqui, mas também no GPS). Nesta primeira parte, seguimos então de Odeceixe a Lagos, com 10 sugestões a não perder. Entretanto a zona entre Portimão e Loulé também pode ser lida aqui, e a última parte, entre Faro e Alcoutim, aqui.
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Este guia tem o apoio da Dish Pay Now, solução de pagamento da Makro, parceira de referência para milhares de profissionais da restauração em Portugal
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Näperõn, Odeceixe
Foi em 2019 que o chef Hugo Nascimento e a mulher Joana trocaram a agitação de Lisboa pela tranquilidade da Costa Vicentina, naquela faixa do Algarve que muitos ainda pensam ser o Alentejo. Convicto do potencial de uma zona onde ainda há muito para explorar, abriu o näperõn. Instalado nas Casas do Moinho, em Odeceixe, não demorou para que o restaurante começasse a circular de boca em boca, tornando-se uma paragem obrigatória para todos aqueles que gostam de comer bem. Com uma cozinha contemporânea assente nas raízes portuguesas e ligação directa aos pequenos produtores locais, Hugo propõe dois menus de degustação – um mais curto (70€), com quatro momentos, e outro mais extenso (95€), com sete – que são também uma leitura pessoal da região. Tudo isto num ambiente descontraído, à imagem do casal.
Preço: €€€€
Rua 25 Abril 113, Odeceixe. Tel:916 177 333. Ter-Sáb 19h00-22h00. Reservas.
Cera, Aljezur
Depois de uma pequena pausa no Inverno, o Cera regressou cheio de novidades, a começar pelas mudanças na cozinha, que em nada abalaram a fama da casa. O chef Rafael Santos saiu e para o seu lugar entrou Alexander, com passagens por cozinhas de restaurantes como o Prado e o Sem, em Lisboa, ou o Flora, em Viseu. À primeira vista, pode quase passar despercebido, mas merece a paragem (e o desvio se for o caso). O espaço é pequeno e acolhedor e o serviço sempre simpático. Os vinhos naturais são escolhidos a dedo, de tal forma que o Cera funciona agora também como uma garrafeira. Na hora de comer, aposta-se numa cozinha de produto com uma carta aparentemente simples e sempre em mudança.
Preço: €€
Rua 29 de Agosto D loja C, Aljezur. Tel:962 283 231. Ter-Sáb 19h00-00.00. Reservas. A garrafeira funciona nos mesmos dias, mas das 16h00 às 23h00
Arte Bianca, Aljezur
Em terra de bom peixe e bom marisco, sabe bem quebrar a rotina com uma boa pizza –, até porque não se trata de uma pizza qualquer. A Arte Bianca, actualmente com casas em Aljezur, Sagres e Vale da Telha, está há anos na lista das melhores pizzarias da Europa no 50 Top Pizza, um concurso internacional que tem vindo a ganhar destaque ao longo dos anos. São pizzas artesanais feitas em forno de lenha, com massa fina e estaladiça e ingredientes frescos em combinações, por vezes, inesperadas, mas representativas da região. O 50 Top Pizza destaca mesmo a “selecção de pizzas gastronómicas, entre as quais se destaca a pizza Algarve, feita com ingredientes locais como os figos pretos do Algarve e o queijo de Serpa, para acompanhar com uma cerveja artesanal portuguesa”. , justifica a organização da lista. Falta dizer que nem só de pizzas se faz a carta. Não deixe de experimentar entradas, como a ”bufala e melanzane”, ou umas das massas frescas feitas na casa.
Preço: €€
Rua 25 de Abril 114, Aljezur. Tel:965880497. Seg-Dom 12h00-21h30
Tasca do Petrol, Monchique
Nem só de mar se faz o Algarve e é bem rica também a cozinha da serra da qual esta Tasca do Petrol, em Marmelete, é um belo exemplar. Seguindo a preceito o receituário antigo, sem atalhos ou pretensões, serve essencialmente boa comida de tacho (sempre em doses generosas). Pode ser um javali estufado, um borrego assado no forno ou o cozido de couve típico de Monchique. Também não falham os petiscos como o bucho ou os enchidos de porco preto. A carta é curta e segura, os preços são justos, o ambiente é rústico. O melhor é reservar: o desvio ainda é algum, as mesas não são muitas e quem conhece costuma voltar.
EN267 Corgo do Vale, Serra de Monchique. Tel:282 955 117. Qui-Seg 12h00-15.00/19h00-21h30, Ter 12h00-15h00
Preço: €€
Ribeira do Poço, Vila do Bispo
Percebes. Eis o que não pode mesmo deixar de pedir no Ribeira do Poço, as fotografias na parede e as travessas em praticamente todas as mesas dão disso conta. Não por acaso, Vila do Bispo é muitas vezes apelidada de capital do percebe com um festival anual dedicado a este marisco e tudo (habitualmente em Junho). Nesta casa, os percebes chegam todos os dias, às vezes duas vezes por dia, se assim se justificar – e costuma justificar, já que a procura também é muita (e por isso o mais seguro é garantir mesa com antecedência). Mas há mais: moreia frita, salada de polvo, lapas, mexilhões ou lingueirão. E um peixinho para terminar em beleza.
Preço: €€
Rua da Ribeira do Poço 11, Vila do Bispo. Tel:282 639 075. Ter-Dom 13h00-22h00
Apoio:
Eira do Mel, Vila do Bispo
Ainda em Vila do Bispo, a caminho da praia do Castelejo, um clássico. Na Eira do Mel, só é bem-vindo quem chega sem pressa. À mesa o tempo é para se passar devagar – e é assim há 30 anos com José Pinheiro ao leme da cozinha. Fiel à tradição e aos produtos da terra, o chef não tem medo de emprestar o seu olhar ao receituário algarvio, sem que nunca o desvirtue. A manteiga é de algas; o queijo de ovelha acompanha com um chutney caseiro de de figo. As cataplanas são a grande especialidade da casa, com destaque para a de polvo com batata doce. Com a encomenda feita com 24 horas de antecedência, também pode haver uma caldeirada de peixe “da costa de Sagres”, assim é prometido. Nas sobremesas, há uma estrela que provavelmente vai querer levar para casa: o queijo de figo da Eira do Mel.
Preço: €€ – €€€
Estrada do Castelejo, Vila do Bispo. Tel:917 555 669. Ter-Sáb 12h30-15h00/19h00-21.30
A Tasca, Sagres
Em cima da Praia da Baleeira e com vista para o movimentado porto de pesca, A Tasca aproveita da melhor forma tudo o que o mar tem para dar e que aqui chega em menos de nada. Peixe e marisco são tratados de forma certeira. As grandes especialidades são a caldeirada e a cataplana, mas conforme o dia não falham as ostras e os percebes, bem como a moreia frita. Também há opções fora da carta, obviamente dependentes do que chegar da lota. O restaurante tem uma grande e desafogada esplanada, tão perfeita nos dias de sol e nos fins de tarde mais longos, como nos dias de sol de Inverno (como já experimentámos). Lá dentro, a sala mantém uma decoração mais rústica. A carta varia ligeiramente consoante a lota — e é isso que faz sentido ali.
Preço: €€ – €€€
Porto da Baleeira, Sagres. Tel:282 624 177. Qui-Ter 12h30-15h00/18h30-22h00
Fermento, Sagres
Entre o bistrô e o bar de vinhos naturais, o Fermento é um bom exemplo do que começa a acontecer cada vez mais no país e que já acontecia em cidades como Lisboa ou Porto: o aparecimento de restaurantes fora da caixa, pelas mãos de gente nova que olha com liberdade e sem grandes fórmulas para o território. Vindos de Itália, foi em Sagres que estes quatro sócios decidiram assentar arraiais, apostando numa cozinha criativa, sem grandes regras e com uma forte influência italiana – por mais que a carta rode, há sempre dois ou três pratos de pasta fresca (pode ser uma lasanha com ragú de carne de javali, um gnocchi de beterraba ou uma pasta calamarata a saber a mar). A carta de vinhos, acompanha a mesma visão curiosa e, por vezes até, pouco ortodoxa.
Preço: €€ – €€€
Rua de São Vicente, Sagres. Tel: 282 011 963. Ter-Sex 15h00-22h00, Sáb 13h00-22h00
AL SUD, Lagos
Ribatejano de origem, mas há anos a trabalhar no Algarve, Louis Anjos conhece bem a região que o inspira. No AL SUD, restaurante feito à sua medida no resort Palmares Ocean Living & Golf, presta homenagem à cozinha algarvia com um menu que privilegia o mar – o mesmo que se vê da sala, voltada para a Meia Praia, em Lagos – sem esquecer, ainda assim, a serra. Cruzando o receituário tradicional com as suas memórias, o chef tem vindo, ano após ano, a apurar a experiência. O menu de degustação, com seis (160€) ou oito momentos (180€), mostra um trabalho cada vez mais seguro. A estrela Michelin chegou em 2021, apenas seis meses após a abertura, um feito raro para um restaurante criado de raiz. Mas há mais feitos dignos de nota, afinal na cozinha do AL SUD trabalham três vencedores do concurso Chef Cozinheiro do Ano: o próprio Louis Anjos (2012), Jeferson Dias (2023) e Alexandre Cabrita (2025), além de Ricardo Luz (2019), que saiu no ano passado para abrir o Authentic, em Almancil.
Preço: €€€€€
Palmares Ocean Living & Golf, Lagos. Tel:926 292 617. Qua-Sáb 19h00-23h30. Reservas.
Avenida, Lagos
Ainda este ano o Avenida deu que falar quando Joana Reis, sommelier da casa, foi distinguida como a melhor do ano pela Revista de Vinhos (semanas após ter sido nomeada para a mesma distinção nos Prémios Mesa Marcada). À sua responsabilidade estão mais de mil referências de 15 países, com uma selecção de champanhes que vale a pena ser explorada. Na cozinha, o chef holandês Roeland Klein, que há vários anos se fixou no Algarve, junta técnica a bons produtos e influências do mundo. Há um menu de degustação (90€/seis pratos), mas também propostas à carta, com destaque para os cortes de carne maturada, que escreve o Guia Michelin serem trazidos “do El Capricho de José Gordón, uma referência neste sector”. Nos pratos de peixe e marisco, reinam combinações inesperadas. A cozinha é aberta, com lugares ao balcão.
Preço: €€€€ – €€€€€
Lagos Avenida Hotel, Avenida dos Descobrimentos 53, Lagos. Tel:282 780 092. Seg-Qui 19h30-21h00, Sex-Sáb 12h30-14h30/19h30-21h00, Dom 19h30-21h00. Reservas.
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Legenda preço médio: € – menos de 20€ |€€ – 20 a 40€ | €€€ – 40 a 60€ | €€€€ – 60 a 100€ | €€€€€ – +100€
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Artigos Relacionados:
. 47 restaurantes para todos os gostos no Algarve – 2ª parte, de Portimão a Loulé
. 47 restaurantes para todos os gostos no Algarve – 3ª parte: de Faro a Alcoutim
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Fotos: Cláudia Lima Carvalho, Miguel Pires e imagens retiradas das redes sociais e sites dos restaurantes
*Sobre a autora, Cláudia Lima Carvalho: licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, iniciou o seu percurso no jornal Público, onde integrou a secção de Cultura e mais tarde assumiu funções como editora online. Passou depois pela Time Out Lisboa, onde foi editora executiva durante oito anos, com responsabilidade sobre a área de Comer & Beber. Nesse papel, acompanhou de perto a evolução da restauração em Portugal, coordenou equipas e conteúdos, e desenvolveu diversos projectos editoriais dedicados à gastronomia
Apoio:
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Há a Costa Vicentina e há Lagos, há praias de beleza únicas e há restaurantes que merecem também a viagem. Entre as praias autênticas da Costa Vicentina e as falésias de Lagos, há boas mesas para descobrir – tantas delas com vistas que já valem a paragem –, entre sugestões mais tradicionais e outras menos ortodoxas, com sangue novo a abrir outros caminhos, além de menus estrelados.
Neste guia de restaurantes no Algarve, para este Verão de 2025, dividimos as propostas em três zonas para que seja mais simples navegar (por aqui, mas também no GPS). Nesta primeira parte, seguimos então de Odeceixe a Lagos, com 10 sugestões a não perder. Entretanto a zona entre Portimão e Loulé também pode ser lida aqui, e a última parte, entre Faro e Alcoutim, aqui.
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Este guia tem o apoio da Dish Pay Now, solução de pagamento da Makro, parceira de referência para milhares de profissionais da restauração em Portugal
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Näperõn, Odeceixe
Foi em 2019 que o chef Hugo Nascimento e a mulher Joana trocaram a agitação de Lisboa pela tranquilidade da Costa Vicentina, naquela faixa do Algarve que muitos ainda pensam ser o Alentejo. Convicto do potencial de uma zona onde ainda há muito para explorar, abriu o näperõn. Instalado nas Casas do Moinho, em Odeceixe, não demorou para que o restaurante começasse a circular de boca em boca, tornando-se uma paragem obrigatória para todos aqueles que gostam de comer bem. Com uma cozinha contemporânea assente nas raízes portuguesas e ligação directa aos pequenos produtores locais, Hugo propõe dois menus de degustação – um mais curto (70€), com quatro momentos, e outro mais extenso (95€), com sete – que são também uma leitura pessoal da região. Tudo isto num ambiente descontraído, à imagem do casal.
Preço: €€€€
Rua 25 Abril 113, Odeceixe. Tel:916 177 333. Ter-Sáb 19h00-22h00. Reservas.
Cera, Aljezur
Depois de uma pequena pausa no Inverno, o Cera regressou cheio de novidades, a começar pelas mudanças na cozinha, que em nada abalaram a fama da casa. O chef Rafael Santos saiu e para o seu lugar entrou Alexander, com passagens por cozinhas de restaurantes como o Prado e o Sem, em Lisboa, ou o Flora, em Viseu. À primeira vista, pode quase passar despercebido, mas merece a paragem (e o desvio se for o caso). O espaço é pequeno e acolhedor e o serviço sempre simpático. Os vinhos naturais são escolhidos a dedo, de tal forma que o Cera funciona agora também como uma garrafeira. Na hora de comer, aposta-se numa cozinha de produto com uma carta aparentemente simples e sempre em mudança.
Preço: €€
Rua 29 de Agosto D loja C, Aljezur. Tel:962 283 231. Ter-Sáb 19h00-00.00. Reservas. A garrafeira funciona nos mesmos dias, mas das 16h00 às 23h00
Arte Bianca, Aljezur
Em terra de bom peixe e bom marisco, sabe bem quebrar a rotina com uma boa pizza –, até porque não se trata de uma pizza qualquer. A Arte Bianca, actualmente com casas em Aljezur, Sagres e Vale da Telha, está há anos na lista das melhores pizzarias da Europa no 50 Top Pizza, um concurso internacional que tem vindo a ganhar destaque ao longo dos anos. São pizzas artesanais feitas em forno de lenha, com massa fina e estaladiça e ingredientes frescos em combinações, por vezes, inesperadas, mas representativas da região. O 50 Top Pizza destaca mesmo a “selecção de pizzas gastronómicas, entre as quais se destaca a pizza Algarve, feita com ingredientes locais como os figos pretos do Algarve e o queijo de Serpa, para acompanhar com uma cerveja artesanal portuguesa”. , justifica a organização da lista. Falta dizer que nem só de pizzas se faz a carta. Não deixe de experimentar entradas, como a ”bufala e melanzane”, ou umas das massas frescas feitas na casa.
Preço: €€
Rua 25 de Abril 114, Aljezur. Tel:965880497. Seg-Dom 12h00-21h30
Tasca do Petrol, Monchique
Nem só de mar se faz o Algarve e é bem rica também a cozinha da serra da qual esta Tasca do Petrol, em Marmelete, é um belo exemplar. Seguindo a preceito o receituário antigo, sem atalhos ou pretensões, serve essencialmente boa comida de tacho (sempre em doses generosas). Pode ser um javali estufado, um borrego assado no forno ou o cozido de couve típico de Monchique. Também não falham os petiscos como o bucho ou os enchidos de porco preto. A carta é curta e segura, os preços são justos, o ambiente é rústico. O melhor é reservar: o desvio ainda é algum, as mesas não são muitas e quem conhece costuma voltar.
EN267 Corgo do Vale, Serra de Monchique. Tel:282 955 117. Qui-Seg 12h00-15.00/19h00-21h30, Ter 12h00-15h00
Preço: €€
Ribeira do Poço, Vila do Bispo
Percebes. Eis o que não pode mesmo deixar de pedir no Ribeira do Poço, as fotografias na parede e as travessas em praticamente todas as mesas dão disso conta. Não por acaso, Vila do Bispo é muitas vezes apelidada de capital do percebe com um festival anual dedicado a este marisco e tudo (habitualmente em Junho). Nesta casa, os percebes chegam todos os dias, às vezes duas vezes por dia, se assim se justificar – e costuma justificar, já que a procura também é muita (e por isso o mais seguro é garantir mesa com antecedência). Mas há mais: moreia frita, salada de polvo, lapas, mexilhões ou lingueirão. E um peixinho para terminar em beleza.
Preço: €€
Rua da Ribeira do Poço 11, Vila do Bispo. Tel:282 639 075. Ter-Dom 13h00-22h00
Apoio:
Eira do Mel, Vila do Bispo
Ainda em Vila do Bispo, a caminho da praia do Castelejo, um clássico. Na Eira do Mel, só é bem-vindo quem chega sem pressa. À mesa o tempo é para se passar devagar – e é assim há 30 anos com José Pinheiro ao leme da cozinha. Fiel à tradição e aos produtos da terra, o chef não tem medo de emprestar o seu olhar ao receituário algarvio, sem que nunca o desvirtue. A manteiga é de algas; o queijo de ovelha acompanha com um chutney caseiro de de figo. As cataplanas são a grande especialidade da casa, com destaque para a de polvo com batata doce. Com a encomenda feita com 24 horas de antecedência, também pode haver uma caldeirada de peixe “da costa de Sagres”, assim é prometido. Nas sobremesas, há uma estrela que provavelmente vai querer levar para casa: o queijo de figo da Eira do Mel.
Preço: €€ – €€€
Estrada do Castelejo, Vila do Bispo. Tel:917 555 669. Ter-Sáb 12h30-15h00/19h00-21.30
A Tasca, Sagres
Em cima da Praia da Baleeira e com vista para o movimentado porto de pesca, A Tasca aproveita da melhor forma tudo o que o mar tem para dar e que aqui chega em menos de nada. Peixe e marisco são tratados de forma certeira. As grandes especialidades são a caldeirada e a cataplana, mas conforme o dia não falham as ostras e os percebes, bem como a moreia frita. Também há opções fora da carta, obviamente dependentes do que chegar da lota. O restaurante tem uma grande e desafogada esplanada, tão perfeita nos dias de sol e nos fins de tarde mais longos, como nos dias de sol de Inverno (como já experimentámos). Lá dentro, a sala mantém uma decoração mais rústica. A carta varia ligeiramente consoante a lota — e é isso que faz sentido ali.
Preço: €€ – €€€
Porto da Baleeira, Sagres. Tel:282 624 177. Qui-Ter 12h30-15h00/18h30-22h00
Fermento, Sagres
Entre o bistrô e o bar de vinhos naturais, o Fermento é um bom exemplo do que começa a acontecer cada vez mais no país e que já acontecia em cidades como Lisboa ou Porto: o aparecimento de restaurantes fora da caixa, pelas mãos de gente nova que olha com liberdade e sem grandes fórmulas para o território. Vindos de Itália, foi em Sagres que estes quatro sócios decidiram assentar arraiais, apostando numa cozinha criativa, sem grandes regras e com uma forte influência italiana – por mais que a carta rode, há sempre dois ou três pratos de pasta fresca (pode ser uma lasanha com ragú de carne de javali, um gnocchi de beterraba ou uma pasta calamarata a saber a mar). A carta de vinhos, acompanha a mesma visão curiosa e, por vezes até, pouco ortodoxa.
Preço: €€ – €€€
Rua de São Vicente, Sagres. Tel: 282 011 963. Ter-Sex 15h00-22h00, Sáb 13h00-22h00
AL SUD, Lagos
Ribatejano de origem, mas há anos a trabalhar no Algarve, Louis Anjos conhece bem a região que o inspira. No AL SUD, restaurante feito à sua medida no resort Palmares Ocean Living & Golf, presta homenagem à cozinha algarvia com um menu que privilegia o mar – o mesmo que se vê da sala, voltada para a Meia Praia, em Lagos – sem esquecer, ainda assim, a serra. Cruzando o receituário tradicional com as suas memórias, o chef tem vindo, ano após ano, a apurar a experiência. O menu de degustação, com seis (160€) ou oito momentos (180€), mostra um trabalho cada vez mais seguro. A estrela Michelin chegou em 2021, apenas seis meses após a abertura, um feito raro para um restaurante criado de raiz. Mas há mais feitos dignos de nota, afinal na cozinha do AL SUD trabalham três vencedores do concurso Chef Cozinheiro do Ano: o próprio Louis Anjos (2012), Jeferson Dias (2023) e Alexandre Cabrita (2025), além de Ricardo Luz (2019), que saiu no ano passado para abrir o Authentic, em Almancil.
Preço: €€€€€
Palmares Ocean Living & Golf, Lagos. Tel:926 292 617. Qua-Sáb 19h00-23h30. Reservas.
Avenida, Lagos
Ainda este ano o Avenida deu que falar quando Joana Reis, sommelier da casa, foi distinguida como a melhor do ano pela Revista de Vinhos (semanas após ter sido nomeada para a mesma distinção nos Prémios Mesa Marcada). À sua responsabilidade estão mais de mil referências de 15 países, com uma selecção de champanhes que vale a pena ser explorada. Na cozinha, o chef holandês Roeland Klein, que há vários anos se fixou no Algarve, junta técnica a bons produtos e influências do mundo. Há um menu de degustação (90€/seis pratos), mas também propostas à carta, com destaque para os cortes de carne maturada, que escreve o Guia Michelin serem trazidos “do El Capricho de José Gordón, uma referência neste sector”. Nos pratos de peixe e marisco, reinam combinações inesperadas. A cozinha é aberta, com lugares ao balcão.
Preço: €€€€ – €€€€€
Lagos Avenida Hotel, Avenida dos Descobrimentos 53, Lagos. Tel:282 780 092. Seg-Qui 19h30-21h00, Sex-Sáb 12h30-14h30/19h30-21h00, Dom 19h30-21h00. Reservas.
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Legenda preço médio: € – menos de 20€ |€€ – 20 a 40€ | €€€ – 40 a 60€ | €€€€ – 60 a 100€ | €€€€€ – +100€
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Fotos: Cláudia Lima Carvalho, Miguel Pires e imagens retiradas das redes sociais e sites dos restaurantes
*Sobre a autora, Cláudia Lima Carvalho: licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, iniciou o seu percurso no jornal Público, onde integrou a secção de Cultura e mais tarde assumiu funções como editora online. Passou depois pela Time Out Lisboa, onde foi editora executiva durante oito anos, com responsabilidade sobre a área de Comer & Beber. Nesse papel, acompanhou de perto a evolução da restauração em Portugal, coordenou equipas e conteúdos, e desenvolveu diversos projectos editoriais dedicados à gastronomia
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