Notas

The Cakery, a doce vida diurna no Cais do Sodré

Os restaurantes, cafés e bares têm vindo a desempenhar um papel importante na recuperação e revitalização de certas zonas da cidade de Lisboa que se encontravam bastante degradadas. Um exemplo bem nítido é o Cais do Sodré, com a pujança do Mercado da Ribeira e de vários restaurantes – mais direccionados para o jantar – que está a “contaminar” os vizinhos Largo e Rua de São Paulo, onde têm surgido nos últimos anos vários estabelecimentos com personalidade e interesse, a preços bem acessíveis. Um caso recente é The Cakery, aberto em Dezembro passado, que contraria a tendência noctívaga da zona funcionando só para pequeno-almoço, brunch, almoço e lanche, não abrindo para jantar, tendo ainda a distingui-lo, como o nome em inglês indica, uma forte aposta em bolos menos vistos, que também podem ser levados para casa.

O projecto é das irmãs Filipa Galvão e Catarina Pereira Coutinho, esta última responsável pela doçaria, que já praticava com êxito entre família e amigos, a que se juntou a prima Sara Nunes de Oliveira. As irmãs há anos que moram na zona e decidiram arriscar neste pequeno espaço, com uma igualmente pequena esplanada, onde já esteve o café Tease, considerando que podiam fazer a diferença entre as várias propostas gastronómicas existentes na vizinhança. Além das receitas de bolos de Catarina Pereira Coutinho, houve que alargar a oferta aos salgados, onde os conhecimentos no Mercado da Ribeira desempenham um papel importante, assim como ao pão, com a “descoberta” da Millstone Sourdough, que marca presença no mercado de produtores que decorre aos sábados de manhã no Largo de São Paulo. Ainda das vizinhanças vêm chás da Companhia Portugueza do Chá, que tem estabelecimento umas ruas acima.

Torrada de brioche com ovo e bacon

Fui convidado para conhecer o espaço e provei uma boa torrada de brioche com bacon, ovo estrelado e cebolinho (7€,). O brioche da Millstone Sourdough é altamente recomendável e vinha tostado com exactidão, sem gosto a queimado, mas com a textura adequada, o bacon a mesma coisa, o ovo com a gema bem líquida e a clara firme, o cebolinho a espevitar sem se impor. Pode parecer pouco elaborado – e é -, mas nem sempre acontece estar tudo tão bem feito em estabelecimentos congéneres. Depois, uma fatia de “cheesecake basco” (a famosa tarta de queso do País Basco, na foto de abertura), leve, fresca, sem açúcar a mais, a saber a queijo. Acompanhei com um agradável chá Lisbon Breakfeast (3€ o bule), que não conhecia.

Panquecas com morangos

A lista divide-se por propostas para as refeições abrangidas pelo horário, não faltando iogurtes e granola caseira, panquecas, croissants e torradas, a preços que variam entre os 2,2€ e os 4,5€. Para almoçar, há pratos ligeiros, entre os 8€ e os 12€, como bolo de caco com frango de caril com espinafres e chips de batata doce ou com cogumelos salteados, salada de quinoa com rosbife, presunto e rúcula ou bowl de caril de lentilhas com arroz basmati. Os menus para brunch ficam a 15€, podendo incluir iogurtes, overnigth oats com chia, banana, manteiga de amendoim e frutos secos, panquecas ou ovos. Destaque natural para os bolos, que podem ser à fatia (entre 3€ e 4€) ou inteiros (entre 15€ e 35€), sendo alguns mais habituais, como bolo prata, de banana, de bolacha, de noz com cobertura de ovos moles, mas há outros menos vistos, como de mousse de chocolate com natas e frutos vermelhos, tarte de lima com base e crumble de Oreo, sachertorte ou blattertorte com compota de framboesa e alperce. E sempre um “bolo da semana” diferente, para ir descobrindo no site da casa.

The Cakery

Rua de São Paulo, 160, Lisboa

Tel. 213 471 626

www.thecakery.pt

Aberto de terça-feira a sexta-feira das 8h30 às 18h e aos fins de semana das 10h e as 19h. Fecha à segunda-feira

Fotografia de abertura: Célio Cruz. Restantes fotografias: Jorge Castro

Nasceu em Lisboa em 1963. Licenciou-se em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa e trabalhou em diversos jornais (Semanário, Diário Popular e Diário de Lisboa) e, depois, na área de comunicação empresarial. Em 1997, começou a colaborar com a revista “Fortuna” na área de gastronomia e vinhos. Em 1999, criou a página “Boa Vida” para o “Diário de Notícias”, que coordenou até Janeiro de 2009, com algumas interrupções. Entre 2007 e 2019, foi coordenador do Projecto Gastronomia da Associação de Turismo de Lisboa e, nesse âmbito, director do festival gastronómico Peixe em Lisboa, continuando a escrever artigos sobre gastronomia e restaurantes em várias publicações.

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