Notas

João Rodrigues deixa Feitoria. E o que irá fazer agora?

O chef do Feitoria e do Hotel Altis Belém, João Rodrigues, comunicou há instantes a saída deste grupo hoteleiro. “O caminho foi duro, construído com altos e baixos, mas com um saldo francamente positivo, e com muitas conquistas a vários níveis que me orgulham. Mas, chega sempre a altura em que precisamos de fechar ciclos para que outros se abram. Por isso, este passo que dou não é o fim de algo, mas sim o começo de uma nova etapa.”, referiu o chef lisboeta numa publicação nas redes sociais.

João Rodrigues está no Feitoria desde a abertura do hotel, em 2008, onde chegou a convite do chefe José Cordeiro, depois de ter passado por lugares como o Ritz Four Seasons Lisboa ou o Pragma, de Fausto Airoldi. Em 2012, fazia então parte da equipa (como nº2) que alcançou a estrela Michelin pela primeira vez, um feito que veio a repetir todos os anos, até hoje, já como chef principal. O ano de 2014 foi o ano de transição, sendo que em 2015 iniciou um ciclo com identidade própria, num caminho muito focado no produto e sobretudo no produto português. É a partir desta altura que começa a ganhar maior protagonismo no meio gastronómico português, tornando-se, nos últimos 6 anos, vencedor consecutivo dos prémios do Mesa Marcada, quer como chefe, quer como restaurante.

Nesta sua nota informativa, Rodrigues não menciona quais os seus planos concretos para um futuro próximo, mas o Mesa Marcada soube que pretende dedicar-se mais ao Projeto Matéria, a plataforma online, concretizada em 2020, que pretende promover os produtores nacionais com boas práticas agrícolas e produção animal em respeito pela natureza e meio ambiente.

 O Mesa Marcada soube ainda que, apesar ter recebido várias propostas ao longo destes últimos anos, o seu futuro não deverá passar por aí, mas sim pelo desenvolvimento de um projecto próprio, com várias valências, entre elas a de restauração.

Esta ideia é algo que vem a matutar há já algum tempo e surge como uma sequência lógica do Projecto Matéria. Em Janeiro deste ano, numa entrevista ao Pratos Limpos, o programa que Alexandra Prado Coelho e eu fazemos no Público, Rodrigues falava na “esperança de um dia ter uma plataforma física” que fosse “multidisciplinar” como o passo seguinte do Matéria. E reforçava: “será fisico, certamente. Obedecerá a um espaço que possa ser visitável”. Porém, segundo ele, esse lugar “não poderá criar barreiras” e deverá ser algo que “fuja um bocadinho àquela ideia de ser um espaço com quatro paredes em que entramos e acontece quase sempre o mesmo. Gosto de uma ideia diferente, de um restaurante que possa ser muito mais para lá do espaço que o confina”.  

Quando lhe perguntámos se havia probabilidade desse projecto se concretizar a curto/médio prazo, foi vago: “Não sei, talvez”. Contudo, dava a entender, logo de seguida, que não se tratava de uma quimera. “Eu encaro muito este projecto, como um projecto de vida”. O Matéria “foi algo a que me dediquei muito mais nestes dois últimos anos” de pandemia. “Acabei por ter o tempo para me dedicar muito a fundo e explorá-lo. E é claro que depois quando estas coisas acontecem começamos a sonhar, a perspectivar, a planear”. Portanto, com a saída do Grupo Altis, o sonho parece agora estar menos distante de se concretizar.  


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