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Disfrutar é o novo Nº1 do World 50 Best Restaurants. Belcanto de José Avillez fica em 31º lugar

Decorreu esta noite, em Las Vegas, nos Estados Unidos, a cerimónia de entrega dos prémios da lista The World’s 50 Best Restaurants 2024. O Disfrutar de Barcelona foi eleito “O Melhor Restaurante do Mundo” com Portugal representado, como habitualmente, com um único restaurante na lista, o Belcanto de José Avillez, numa excelente 31ª posição.

Era expectável que o Disfrutar, dirigido pelos talentosos “ex-elbullianos” Oriol Castro, Eduard Xatruch e Mateu Casañas, conquistasse o lugar cimeiro. É o que tem acontecido desde que a organização tomou a decisão de retirar os vencedores das edições anteriores da competição, transferindo-os para um “hall of fame, Best of the Best” (onde entra agora o vencedor do ano passado, o Central de Lima, de Virgilio Martinez): os Nº2 têm sido eleitos Nº1 no ano seguinte.

Já nas posições abaixo, os resultados costumam ser menos previsíveis e este ano não foi diferente. Por exemplo, no caso do Belcanto, depois do 46º lugar em 2021 e 2022 houve em 2023 a incrível subida para 25º e, apesar da ligeira queda agora, não deixa de ser notável o nº 31 alcançado numa lista, que o director do evento William Drew considera ser “verdadeiramente global, com restaurantes de 26 territórios”.

O próprio José Avillez tinha sido cauteloso na previsão dos resultados. Na véspera, quando o questionei nesse sentido, respondeu: “confesso que saber que estamos dentro dos 50 melhores restaurantes do mundo já me deixa muito satisfeito. Acho que não será fácil mantermos a posição do ano passado, mas ficaremos contentes com o que venha”. De igual modo, procurou não colocar muito peso no que representa estar num lugar de destaque, quando lhe pedi um balanço de um ano em 25º lugar: “a classificação em si não mudou nada. Temos feito um percurso importante de evolução no último ano no Belcanto com uma equipa muito forte com o restaurante cheio todos os dias. Integrar já há vários anos a lista dos 50 Best Restaurants é um grande orgulho para todos nós”.

Aproveitei também a oportunidade para questionar o chef do Balcanto, sobre qual eram as suas expectativas para Nº1. E o seu desejo, pelos vistos cumpriu-se: “eu gostava muito que ganhasse o Disfrutar. Fala-se também do Diverxo, do Etxebarri, do Maido… vamos ver :)” 

Oriol Castro, Eduard Xatruch e Mateu Casañas a receber o troféu

Na mesma ocasião falei também com João Wengorovius (gastrónomo globetrotter e autor do livro We Chefs), que ainda meio perdido em Las Vegas, após uma chegada atribulada à cidade dos néons, considerava que o Disfrutar era o favorito, ou que seria enorme se fosse o Etxebarri, “que não tem uma dinâmica de convites”, a ganhar, mas que deveríamos levar em conta, igualmente, “a velocidade a que subiram” nos últimos anos, quer o o DiverXo, quer o Alchemist (de Copenhaga, que acabaria por cair de 5º para 8º).

Wengorovius, que esteve presente em todas as cerimónias dos últimos quinze anos mostrou-se ainda muito crítico em relação à realização do evento em Las Vegas, uma cidade, que considera “um festival permanente de outras merdas, uma estupidez a toda a hora…” e em que, neste contexto, a própria “geografia do espaço do hotel”, onde decorreu o evento, não convidava “a nenhum cruzamento de actividades”.

Viva España, olé! 

Em termos de resultados por países, Espanha tem sido sempre uma das nações em destaque e este ano foi ainda melhor, ao classificar em 2º o restaurante preferido dos chefs (e não só) Asador Etxebarri (era 4º); em 4º, o DiverXo de David Muñoz (caiu uma posição); em 14º o Quique Dacosta Restaurante (era 20º) e em 28º o Elkano (era 22º). O único revés foi a saida do Mugaritz desta parte da lista (ficou em 81º lugar). 

Intrometido entre os espanhóis, que colocaram, portanto, 3 restaurantes nos 5 primeiros, tivemos o Table de Paris, de Bruno Verjus, num surpreendente 3º lugar, e o peruano Maido de Lima na 5ª posição. Destaque ainda para o regresso, no 9º lugar, de Gaggan de Banguecoque, e a entrada, na 10ª posição, do Don Júlio de Buenos Aires, num Top 10 que teve ainda o Atomix de Nova Iorque em 6º e o Quintonil da Cidade do México em 7º. 

Por sua vez, a organização salienta ainda “restaurantes de quatro novas cidades que entraram ou reentraram na lista, como o La Colombe em Cape Town (nº 49), o SingleThread em Healdsburg (nº 46), o Oteque no Rio de Janeiro (nº 37) e o Mingles em Seul (nº 44), mostrando a expansão internacional contínua dos prémios ao reconhecer os melhores restaurantes ao redor do mundo”.

Eis os resultados da lista dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo 2024:  

Outros Prémios e lugares de destaque

O chef e restaurateur australiano Neil Perry – cujo portfólio de restaurantes inclui o lendário Rockpool Bar & Grill, Rosetta, Spice Temple, Margaret – após uma carreira de mais de 45 anos foi recompensado com o Woodford Reserve Icon Award enquanto, Nina Métayer foi nomeada a Melhor Chef de Pastelaria do Mundo 2024, patrocinada pela Sosa.

Com base em Hong Kong, o Wing (nº 20) do chef Vicky Cheng foi reconhecido com o prémio Highest New Entry 2024, e o The Chairman (nº 26) – também em Hong Kong – recebe o prémio Highest Climber 2024, patrocinado pela Highstreet World. 

Já o galardão de Melhor Sommelier do Mundo Beronia foi para Pablo Rivero, escanção e proprietário do Don Julio, Buenos Aires e a Nobelhart & Schmutzig de Berlim (nº 43) coube a distinção de Restaurante Sustentável 2024, em reconhecimento “à sua incansável defesa de melhores políticas agrícolas e voz dos produtores”

Nesta noite celebrou-se ainda aqueles cujos prémios tinham sido pré-anunciados, como os vencedores do Champions of Change, Jessica Rosval e Caroline Caporossi – fundadoras do Roots em Modena, um restaurante de empreendedorismo social que hospeda um programa de treinamento para mulheres migrantes – e João Diamante do Diamantes Na Cozinha no Rio de Janeiro, fundador de uma iniciativa culinária que cria oportunidades para jovens em situações vulneráveis; Janaína Torres, vencedora do prêmio The World’s Best Female Chef. Por último, o Plénitude em Paris, que recebeu o prémio Gin Mare Art of Hospitality; e o Kato, Los Angeles, recebeu a distinção Resy One To Watch.

O Processo de Votação

De relembrar que a lista dos The World’s 50 Best Restaurants 2024 teve origem a partir dos votos de “1080 especialistas internacionais da indústria de restaurantes e gourmets viajados que compõem a Academia dos The World’s 50 Best Restaurants. A Academia, equilibrada em termos de género, é composta por 27 regiões separadas ao redor do mundo, cada uma com 40 membros, incluindo um Presidente da Academia. Nenhum patrocinador do evento tem qualquer influência sobre o processo de votação”. A votação conta ainda “com a consultoria de serviços profissionais Deloitte julga independentemente a lista”. 

Best of the Best

Por último fica aos nomes do “Hall of Fame”, ou seja os dos restaurantes nomeados nº 1 nos The World’s 50 Best Restaurants desde o início da lista e que, portanto, não eram elegíveis para votação em 2024:

• El Bulli (2002, 2006-2009)

• The French Laundry (2003-2004)

• The Fat Duck (2005)

• Noma – localização original (2010-2012, 2014)

• El Celler de Can Roca (2013, 2015)

• Osteria Francescana (2016, 2018)

• Eleven Madison Park (2017)

• Mirazur (2019)

• Noma – current location (2021)

• Geranium (2022)

• Central (2023)

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. Na ressaca da gala que elegeu o Central como melhor restaurante do mundo e o Belcanto no 25º lugar


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