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Henrique Sá Pessoa (re)abre restaurante em Lisboa: 450 reservas e ambição renovada

equipa do restaurante Henrique Sá Pessoa em Lisboa

Depois da notícia do encerramento do Alma que surpreendeu meio gastronómico na altura, Henrique Sá Pessoa voltou ao activo com um restaurante em nome próprio, em Lisboa, e fê-lo com uma declaração que é também um posicionamento: “Bem-vindos à minha casa”.

O restaurante HENRIQUE SÁ PESSOA abriu esta semana na zona das Amoreiras, num espaço com 30 lugares — dois deles ao balcão, com vista directa para a cozinha aberta — assumindo-se como um projecto mais pessoal e autónomo na trajectória do chef. Depois de uma década no Chiado, à frente do Alma, inicia agora uma fase em nome próprio, com maior liberdade estratégica e criativa.

Localizado no Páteo Bagatela, o restaurante apresenta-se num formato intimista, pensado para privilegiar proximidade e detalhe. O projecto de interiores é assinado por Rebeca Pérez, do Tabula Rasa Design Studio, e as casas de banho receberam uma intervenção artística de Kruella D’Enfer. Está igualmente prevista uma instalação de Mário Belém, no âmbito da dimensão cultural contínua que o espaço pretende assumir.

Em conversa com o Mesa Marcada, nos primeiros dias após a abertura, Henrique Sá Pessoa falou sobre o momento de transição, o arranque e as expectativas para o futuro.

“Era o momento certo”

“Voltar ao activo num novo espaço, com um novo nome, é sem dúvida uma conquista. Algo que eu queria já há algum tempo”, começa por dizer. Depois de dez anos numa parceria com Plateform, sentiu que era tempo de criar caminho próprio. “Achei que, na fase de carreira em que estou, era a altura para arriscar e fazê-lo.”

A decisão implicou assumir não apenas a liderança criativa, mas também a responsabilidade financeira de um projecto que arrancou com uma base sólida: “Estamos a falar de 24, 26 pessoas que eram do Alma e que estão agora comigo.” Esse núcleo duro traz consigo um histórico de oito anos com duas estrelas Michelin e dois anos com uma estrela, algo que o chef reconhece como determinante para enfrentar esta nova etapa com confiança.

Arranque rápido, adesão imediata

A obra durou três meses e meio e implicou “partir literalmente o restaurante todo e construir de raiz”, enquanto decorria, em paralelo, a reorganização do Atelier e do espaço no Mercado da Ribeira. Numa primeira fase, optou por manter cerca de 90% da carta que servia no Alma, precisamente para garantir continuidade e facilitar a transição, até porque há sempre a questão sensível do guia vermelho. “Na transição, obviamente que manter as estrelas é um objetivo. Vamos esperar até dia 10 de Março [n.d. data em que é lançada a edição portuguesa para 2026], mas gostávamos obviamente de continuar a ter essa confiança do Guia Michelin na atribuição das duas estrelas”.

Em termos de reservas, os números revelam uma adesão imediata: “Lançámos as reservas a 1 de Fevereiro e, ao dia de hoje, temos 450 reservas”, refere. Mais de 90% são de clientes portugueses e muitos regressam depois de algum tempo afastados. “Temos recebido clientes do passado, que já não víamos há muitos anos.”

Nestes primeiros dias, o restaurante tem funcionado com cerca de 20 clientes por serviço, permitindo afinar processos e consolidar a dinâmica da equipa. O feedback, garante, tem sido positivo e o próprio sente que deram um salto qualitativo face ao que faziam anteriormente. “Estamos a trabalhar no sentido de garantirmos que a consistência e que o menu e que a experiência não só não baixa de nível relativamente ao Alma, mas como até conseguimos melhorar em muitos aspectos. E claro, para o futuro, o que nós queremos acima de tudo é ser melhores do que éramos antes. Temos as condições para isso e, portanto, podemos ambicionar mais alto”.

Continuidade, ambição e margem para evoluir

A questão sobre até onde pode chegar este projecto é inevitável, e o chef não a evita: “Já me fizeram a pergunta se quero ganhar três estrelas. Eu acho que mais do que ganhar as três estrelas, eu quero melhorar em relação ao passado e se melhorar é ir nesse sentido, então, que assim seja.” Sem nunca esquecer, sublinha, a importância de garantir consistência, casa cheia e uma equipa motivada.

No que toca à proposta gastronómica, o caminho está traçado. A carta organiza-se em três menus de degustação — Costa a Costa, Clássicos e Encontros — além da opção à la carte. A matriz mantém-se, mas há já alguns sinais de evolução. Uma das novidades é uma sequência de três snacks que homenageiam a cozinha portuguesa: caldeirada (com polvo), escabeche (com lírio) e açorda (com carabineiro). “São três pratos que não tínhamos no antigo restaurante e que agora adicionámos em tom de homenagem à cozinha tradicional portuguesa”.

Outra diferença face ao passado é a existência de uma sala privada para 8 a 12 pessoas, equipada com cozinha independente. Henrique descreve-a como uma extensão do Atelier, um espaço de I&D onde poderá testar ideias e desenvolver com maior profundidade a identidade deste novo ciclo.

A estrutura da casa completa-se com uma equipa experiente. À frente da garrafeira mantém-se Manuel Cambournac, com uma carta onde cerca de 70% das 242 referências são vinhos portugueses. Miguel Lamy assume a chefia de sala e Francisco de Melo Garrido o papel de sub-chef.

Entre a maturidade de um percurso consolidado e a energia de um recomeço, o novo HENRIQUE SÁ PESSOA apresenta-se como uma afirmação de identidade. Para já, a casa está aberta. E a resposta do público, nos primeiros dias, foi clara.

Contactos: 

HENRIQUE SÁ PESSOA Páteo Bagatela, Rua Artilharia 1, nº 51, Loja L Lisboa | reservas@henriquesapessoa.com

Horário: Terça a Sábado das 18h30 às 00h; Quinta a sábado das 12h00 às 15h30e das 18h30 às 00h00. A partir de Abril: Terça a Sábado das 12h00 às 15h30 e das 18h30 às 00h00


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