O chef britânico Douglas McMaster, fundador do Silo — durante anos apresentado como um dos primeiros (se não mesmo o primeiro) restaurante “desperdício zero” do mundo — vai cozinhar em Lisboa, no restaurante SEM, em Alfama, no próximo dia 16 de Abril.
O jantar terá um carácter particularmente simbólico: será uma das últimas noites do SEM, que deverá encerrar em breve, embora não tenham sido ainda divulgados detalhes adicionais sobre o fecho ou o que lhe poderá suceder.
A ligação entre McMaster e o SEM construiu-se antes mesmo de Londres. Lara Espírito Santo conheceu o chef britânico num encontro profissional internacional e manteve contacto quando este preparava a mudança do Silo para a capital inglesa. Nessa altura, já estava com George McLeod — com quem se tinha cruzado em Londres, fora do contexto da cozinha — e ambos tinham interesse em trabalhar no projecto. Acabariam por integrar a equipa na fase de abertura, num episódio que a própria descreve ao Mesa Marcada: “Na noite de abertura, o sous-chef não apareceu. Eu disse ao Doug: ‘o George está em casa, pode vir trabalhar hoje’. O trial dele foi nessa noite e ficou logo.” Os dois permaneceram no Silo até ao encerramento durante a pandemia, num período que viria a moldar decisivamente o que depois fariam em Lisboa. “Adaptámos tudo o que tínhamos aprendido à realidade portuguesa. Não é igual, mas é completamente formatado para o nosso contexto”, diz Lara, sublinhando ainda que McMaster continua a ser uma referência próxima — “mentor e amigo”.
Aberto em 2021, o SEM, com George a assumir a liderança da cozinha, afirmou-se como um dos projectos mais consistentes em Portugal na área da sustentabilidade aplicada à restauração, operando num modelo de desperdício praticamente nulo, com forte recurso a fermentação, reaproveitamento integral de ingredientes e uma relação directa com produtores. Esse trabalho foi reconhecido, entre outros, com o Prémio Especial Studioneves de Sustentabilidade nos Prémios Mesa Marcada. Ao longo do seu percurso, o restaurante procurou testar a viabilidade deste modelo num contexto de operação regular, adaptando princípios exigentes a uma realidade concreta.
O Silo, por seu lado, encerrou em Londres no final de 2025, após mais de uma década de actividade, deixando um legado importante na forma como a sustentabilidade passou a ser pensada dentro da restauração.
Este jantar a quatro mãos acaba, assim, por funcionar como um ponto de convergência entre os dois projectos: o original e a sua derivação. E também como um fecho de ciclo — não apenas para o SEM, mas para uma linha de pensamento que, nos últimos anos, passou de manifesto experimental a tema recorrente na restauração contemporânea.
Com lugares muito limitados, o evento deverá esgotar rapidamente.
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