Rankings de restaurantes a nível internacional há muitos, mas o The World’s 50 Best Restaurants continua a ser o mais influente. Ainda faltam uns dias para a revelação da lista principal e, com ela, a do “melhor” restaurante do mundo, porém, para já — como habitualmente — a organização do prémio acaba de divulgar a segunda parte da lista: os lugares 51 a 100. E, visto assim de repente, damos logo de caras com uns valentes trambolhões.
Entre eles, os que me saltaram logo à vista foram os do Quique Dacosta Restaurante, de Quique Dacosta, em Denia, Espanha, que cai do n.º 14 para o n.º 65; o do Hiša Franko, de Ana Roš, em Kobarid, Eslovénia – era 48.º em 2014 e agora aparece em 69.º; o da Casa do Porco, de Jefferson Rueda, em São Paulo, que surge agora no n.º 83, depois de ter ocupado o 27.º lugar no ano passado; e o Oteque, de Alberto Landgraf, no Rio de Janeiro (que ainda recentemente tinha passado de duas para uma estrela Michelin), que desce do 37.º para o 81.º.
Mas nem só de quedas se faz esta segunda metade da lista. Como é habitual, há também novidades e surpresas entre os lugares 51 a 100, com 12 novas entradas vindas de 12 cidades diferentes, espalhadas pelos quatro cantos do mundo — de Tulum, México, à costa de Macau, passando por São Paulo, Mérida, Queenstown ou Modena.
A estreia mais alta pertence ao Arca, em Tulum, que aparece directamente no 67.º lugar, seguido de perto por restaurantes como o Masque (Mumbai, n.º 68), o Chef Tam’s Seasons (Macau, n.º 72), o Cocina Hermanos Torres (Barcelona, n.º 78) e o Salsify at the Roundhouse (Cidade do Cabo, n.º 88). Entre os novatos destaca-se ainda o Amisfield Restaurant, em Queenstown, Nova Zelândia, que garante uma estreia absoluta do país na lista com o 99.º posto.
Vale a pena espreitar os números gerais para perceber melhor o retrato global desta selecção. Ao todo, a lista estendida inclui restaurantes em 25 territórios e 37 cidades, com presença garantida em seis continentes. A Europa lidera com 20 representantes, entre os quais se contam novas entradas em Barcelona, Modena, Atxondo e Copenhaga. A Ásia surge com nove nomes, alguns bem consolidados como o Den (Tóquio, n.º 53) ou o Fu He Hui (Xangai, n.º 64), outros em estreia, como o Meet the Bund (Xangai, n.º 94).
A América do Norte apresenta oito restaurantes, incluindo o regresso do Atelier Crenn (São Francisco, n.º 96) e a estreia do César (Nova Iorque, n.º 98). A América do Sul também soma oito nomes, com destaque para o regresso do Tuju, de Ivan Ralston (São Paulo, n.º 70), e do Evvai (n.º 95). O Mil, de Virgilio Martínez, em Cusco (n.º 75), representa o Peru, enquanto o Nuema, em Quito (n.º 61), leva o Equador de volta à lista.
Em África, a Cidade do Cabo destaca-se com três representantes: La Colombe (n.º 55), Fyn (n.º 82) e o já referido Salsify (n.º 88). A Oceânia, por sua vez, marca presença com dois nomes: o Saint Peter (Sydney, n.º 66) e o estreante Amisfield (Queenstown, n.º 99), assinalando uma inédita representação da Nova Zelândia neste ranking.
Entre descidas abruptas, regressos aguardados e novas descobertas, o que sobressai é a diversidade geográfica e cultural desta selecção — um painel que, apesar das críticas habituais, continua a ser uma referência global em termos de atenção mediática e influência na alta cozinha. Agora, é esperar por dia 19 de Junho, em Turim, para sabermos quem ocupa os lugares cimeiros e, claro, quem será coroado melhor restaurante do mundo em 2025.
Nota à parte — ou talvez não tanto:
Tal como tem acontecido nos últimos anos, é razoável assumir que a ausência de qualquer restaurante português nesta lista 51-100 significa, por um lado, que o Belcanto se mantém entre os 50 primeiros (o que se confirmará a 19 de Junho), e, por outro, que não há mais nenhum nome luso na lista global deste ano. Como se sabe, o agrupamento de Portugal na mesma região de voto que Espanha — uma das maiores potências mundiais da gastronomia — é tudo menos favorável à representatividade nacional. Digamos que, se Portugal estivesse inserido, por exemplo, na América Latina, provavelmente teríamos uns cinco restaurantes nesta lista. Mas isso sou eu a dizer.
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Entre eles, os que me saltaram logo à vista foram os do Quique Dacosta Restaurante, de Quique Dacosta, em Denia, Espanha, que cai do n.º 14 para o n.º 65; o do Hiša Franko, de Ana Roš, em Kobarid, Eslovénia – era 48.º em 2014 e agora aparece em 69.º; o da Casa do Porco, de Jefferson Rueda, em São Paulo, que surge agora no n.º 83, depois de ter ocupado o 27.º lugar no ano passado; e o Oteque, de Alberto Landgraf, no Rio de Janeiro (que ainda recentemente tinha passado de duas para uma estrela Michelin), que desce do 37.º para o 81.º.
Mas nem só de quedas se faz esta segunda metade da lista. Como é habitual, há também novidades e surpresas entre os lugares 51 a 100, com 12 novas entradas vindas de 12 cidades diferentes, espalhadas pelos quatro cantos do mundo — de Tulum, México, à costa de Macau, passando por São Paulo, Mérida, Queenstown ou Modena.
A estreia mais alta pertence ao Arca, em Tulum, que aparece directamente no 67.º lugar, seguido de perto por restaurantes como o Masque (Mumbai, n.º 68), o Chef Tam’s Seasons (Macau, n.º 72), o Cocina Hermanos Torres (Barcelona, n.º 78) e o Salsify at the Roundhouse (Cidade do Cabo, n.º 88). Entre os novatos destaca-se ainda o Amisfield Restaurant, em Queenstown, Nova Zelândia, que garante uma estreia absoluta do país na lista com o 99.º posto.
Vale a pena espreitar os números gerais para perceber melhor o retrato global desta selecção. Ao todo, a lista estendida inclui restaurantes em 25 territórios e 37 cidades, com presença garantida em seis continentes. A Europa lidera com 20 representantes, entre os quais se contam novas entradas em Barcelona, Modena, Atxondo e Copenhaga. A Ásia surge com nove nomes, alguns bem consolidados como o Den (Tóquio, n.º 53) ou o Fu He Hui (Xangai, n.º 64), outros em estreia, como o Meet the Bund (Xangai, n.º 94).
A América do Norte apresenta oito restaurantes, incluindo o regresso do Atelier Crenn (São Francisco, n.º 96) e a estreia do César (Nova Iorque, n.º 98). A América do Sul também soma oito nomes, com destaque para o regresso do Tuju, de Ivan Ralston (São Paulo, n.º 70), e do Evvai (n.º 95). O Mil, de Virgilio Martínez, em Cusco (n.º 75), representa o Peru, enquanto o Nuema, em Quito (n.º 61), leva o Equador de volta à lista.
Em África, a Cidade do Cabo destaca-se com três representantes: La Colombe (n.º 55), Fyn (n.º 82) e o já referido Salsify (n.º 88). A Oceânia, por sua vez, marca presença com dois nomes: o Saint Peter (Sydney, n.º 66) e o estreante Amisfield (Queenstown, n.º 99), assinalando uma inédita representação da Nova Zelândia neste ranking.
Entre descidas abruptas, regressos aguardados e novas descobertas, o que sobressai é a diversidade geográfica e cultural desta selecção — um painel que, apesar das críticas habituais, continua a ser uma referência global em termos de atenção mediática e influência na alta cozinha. Agora, é esperar por dia 19 de Junho, em Turim, para sabermos quem ocupa os lugares cimeiros e, claro, quem será coroado melhor restaurante do mundo em 2025.
Nota à parte — ou talvez não tanto:
Tal como tem acontecido nos últimos anos, é razoável assumir que a ausência de qualquer restaurante português nesta lista 51-100 significa, por um lado, que o Belcanto se mantém entre os 50 primeiros (o que se confirmará a 19 de Junho), e, por outro, que não há mais nenhum nome luso na lista global deste ano. Como se sabe, o agrupamento de Portugal na mesma região de voto que Espanha — uma das maiores potências mundiais da gastronomia — é tudo menos favorável à representatividade nacional. Digamos que, se Portugal estivesse inserido, por exemplo, na América Latina, provavelmente teríamos uns cinco restaurantes nesta lista. Mas isso sou eu a dizer.
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