Notas

World 50 Best 2022: Geranium, Espanha e Copenhaga em destaque. Belcanto é o único português na lista

Com o mundo da restauração a voltar a um frenesi que há muito não víamos – apesar da conjuntura complicada em que vivemos – as premiações voltam ao seu ritmo e a uma certa normalidade. Esta segunda-feira foi a vez de ser revelado o ranking do World 50 Best Restaurants, a mais importante e influente de todas as listas mundiais do género. Não houve propriamente grandes surpresas, a começar pela previsibilidade do vencedor, o Geranium, de Rasmus Kofoed, que subiu na hierarquia (tinha sido Nº2 em 2021), depois do Noma ter sido “relegado” para o grupo dos honorários. No que nos diz mais respeito, também era expectável que o Belcanto fosse o único representante de Portugal na lista, e assim foi, tendo conseguido alcançar a 46ª posição, um feito que continua a ser notável – mesmo descendo quatro posições em relação às duas edições anteriores (em que foi 42º)  – tendo em conta a difícil região em que nos encontramos, junto com a Espanha.

Aliás, nuestros hermanos continuam a ter o maior número de restaurantes na lista patrocinada pela S.Pellegrino & Acqua Panna. São 6, os mesmos que Itália, país que se aproxima em termos de destaque, embora Espanha consiga ter mais restaurantes no top 10: Disfrutar (3º), DiverXo (4º) e Asador Etxebarri (6º) – os restantes no 50 Best são o Elkano (16º), Mugaritz (21º) e Quique Dacosta (42º), que voltou a reentrar, o que repõe uma certa justiça àquele que é, sem dúvidas, um dos melhores restaurantes do mundo (aliás, para mim estaria entre os dez primeiros). 

Já em termos de cidades, Copenhaga continua a ser o destino mais relevante, à luz dos novos resultados. Além de manter o título de “melhor do mundo”, que passa então do Noma para o Geranium, a capital dinamarquesa conseguiu ainda colocar o Alchemist em 18º (o que representou uma nova entrada, para aquele que é um dos restaurantes mais procurados do momento) e o Jordnær. 

Outros destaques de monta são ainda, o Central de Virgilio Martinez, cujo périplo pela Europa (com passagem por Lisboa, com um jantar no actual Canto, de José Avillez), deve ter ajudado, certamente, à ascensão ao 2º lugar (depois de ter sido 3º no ano passado), passando a ser, igualmente, o restaurante mais bem classificado da América do Sul (que inclui ao todo 8 restaurantes na lista). De realçar ainda no top 10 a subida ao 7º lugar da Casa do Porco, em São Paulo, do nosso conhecido chef Jefferson Rueda – sendo que o Brasil teve ainda outro restaurante nos 50 Best, Oteque, no Rio de Janeiro, de Alberto Landgraf. 

 Os restantes premiados

O Gin Mare Art of Hospitality Award foi concedido ao Atomix, um restaurante com um menu de degustação de 14 lugares, montado ao redor de um único balcão em forma de U, em Nova Iorque, enquanto René Frank do Coda, em Berlim, recebeu o The World’s Best Pastry Chef Award

Apresentado como um novo prémio em 2022, o título Beronia World’s Best Sommelier foi concedido a Josep Roca, escanção e coproprietário do El Celler de Can Roca, em Girona, Espanha (melhor restaurante do mundo em 2013 e 2015), enquanto que o Uliassi (No.12), em Senigallia, Itália, foi o vencedor do “Highest New Entry Award” (maior nova entrada no ranking). Outros estreantes na lista foram os já referidos Alchemist (No.18) e Jordnær (No.38), ambos em Copenhaga; The Jane (No.23), em Antuérpia; Le Clarence (No.28), em Paris; St Hubertus (No.29), em San Cassiano, Itália; e Ikoyi (No.49), em Londres. 

Nobelhart & Schmutzig (No.17) recebeu o Villa Massa Highest Climber Award (maior subida na lista), após o restaurante de Berlim ter subido 28 posições em relação a 2021 enquanto que Jorge Vallejo, chef-proprietário do Quintonil (No.9), na Cidade do México, ganhou o Estrella Damm Chefs’ Choice Award. Votado por seus colegas, os principais chefs do mundo, o prémio é concedido a um chef que teve uma influência significativa na comunidade gastronómica. 

Por sua vez, o Aponiente, de Ángel Léon, no sudoeste da Espanha, levou para casa o Flor de Caña Sustainable Restaurant Award, um prémio que é auditado de forma independente pela Sustainable Restaurant Association, que classifica os estabelecimentos que se autoindicam para o prémio, com base em diversos critérios, incluindo responsabilidade ambiental e social. 

A noite também celebrou os homenageados com preémios especiais já anunciados previamente. Entre eles, os vencedores dos Champions of Change: Dieuveil MalongaKoh Seng Choon e a dupla Olia Hercules e Alissa TimoshkinaLeonor Espinosa, vencedora do preémio The World’s Best Female Chef Award; a empreendedora social Wawira Njiru, vencedora do Icon Award; e o restaurante de Marselha AM par Alexandre Mazzia, vencedor do American Express One To Watch Award. 

Fotos: João Wengorovious

Russos e norte americanos, os maiores perdedores

Os grandes perdedores deste ano foram o White Rabbit e Twins Garden de Moscovo, excluídos da lista pela organização, devido à invasão russa na Ucrânia. 

Embora por razões diferentes, saíram do 50 Best ainda quatro restaurantes norte-americanos: o Cosme, Benu, Le Bernardin e Atelier Crenn. Outros espaços de renome que deixaram de constar no ranking foram o Burnt Ends (Singapura), Ultraviolet by Paul Pairet (Shangai, China), Azurmendi (Espanha) e Wolfgat (África do Sul). Por sua vez, o Hisa Franko, Kobarid, Eslovénia, de Ana Ros, desceu de 21º para 34º, enquanto o Single Thread (Healdsburg, EUA) baixou de 37º para 50º.

O processo de votação 

Antes de deixar o quadro com todos os integrantes da lista The World’s 50 Best Restaurants 2022 importa referir que esta competição efoi votada por 1080 especialistas internacionais do sector, bem como gastrónomos viajados. Uns e outros compõem a The World’s 50 Best Restaurants Academy, “academia” que se caracterizada pelo equilíbrio em termos de igualdade de género e que abrange 27 regiões distintas do mundo, cada uma com 40 membros, incluindo um presidente, numa votação que é auditada pela consultora Deloitte. 

Best of the Best 

Além do Noma, fazem parte do “Hall of Fame” dos “Best of the Best”, composto pelos vencedores das edições anteriores e, portanto, não mais elegíveis: 

  • El Bulli (2002, 2006-2009) 
  • The French Laundry (2003-2004) 
  • The Fat Duck (2005) 
  • Noma – local original (2010-2012, 2014) 
  • El Celler de Can Roca (2013, 2015) 
  • Osteria Francescana (2016, 2018) 
  • Eleven Madison Park (2017) 
  • Mirazur (2019) 
  • Noma – local atual (2021) 

A lista The World’s 50 Best Restaurants 2022

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