Torre de Palma etapa Food Love Fest
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Food Love Fest Alentejo & Ribatejo: começa na Torre de Palma e entra em cena um novo formato do festival gastronómico

O Food Love Fest Alentejo & Ribatejo arranca na Torre de Palma, em Monforte, com um novo formato que junta vários chefs num percurso gastronómico pela propriedade. Depois seguem-se Ode Winery, Fita Preta e Craveiral.

Depois da conversa de Arraiolos — onde se discutiu o presente e o futuro da gastronomia alentejana — o Food Love Fest entra agora na sua dimensão mais concreta: os eventos. E o primeiro, já no próximo dia 28 de Março, na Torre de Palma Wine Hotel, em Monforte, é também aquele onde tudo se joga pela primeira vez.

O modelo mudou este ano. Em vez de uma dispersão por vários restaurantes, o festival concentra-se em quatro momentos, quatro propriedades, quatro almoços. Em cada um deles, entre oito a dez cozinheiros juntam-se para cozinhar em conjunto, muitas vezes a quatro mãos, num formato que privilegia a colaboração e o contacto directo com o público.

“Este ano vamos fazer só almoços em quatro herdades, onde vamos juntar entre oito a dez chefes por cada um dos almoços, em que vão cozinhar dois a dois”, explica Paulo Barata .

Torre de Palma: um almoço em movimento

Na Torre de Palma, o almoço não se limita a uma mesa. Organiza-se como um percurso pela propriedade, entre diferentes espaços e formas de cozinhar — brasa, forno, fogo de chão e cozinha — numa sequência que acompanha o próprio espaço.

À chegada, os visitantes são convidados a conhecer a adega e os vinhos da propriedade. Depois, o percurso começa no exterior, onde o fogo assume protagonismo. Joaquim Saragga Leal (Os Papagaios) e Vítor Adão (Plano) estarão dedicados ao trabalho de brasa, com porco alentejano. Mais adiante, já no forno da herdade, Celestino Grave (Savoy Signature, Madeira) e Duarte Baptista (Convento do Espinheiro, Évora) assumem a preparação do borrego. E, novamente no exterior, Gonçalo Queiroz (Origens, Évora) e José Gala (Quinta do Paral) tratam de um caldo de peixe do rio em fogo de chão.

“Vamos ter uma zona de fogo, uma zona de brasa, depois um forno super antigo onde se vai cozinhar borrego, depois voltamos ao exterior com fogo de chão, e no final as pessoas entram no restaurante para a sobremesa”, descreve Paulo Barata .

O chef residente, Eduardo Grilo (Torre de Palma), assume duas entradas — mantidas em reserva — enquanto a parte doce fica dividida entre Márcia Dias (Torre de Palma) e César Couto (São Lourenço do Barrocal). No total, serão sete momentos: duas entradas, três pratos principais e duas sobremesas.

Mais do que um alinhamento clássico, o que se propõe é uma experiência em movimento, onde o público circula, observa e prova. “As pessoas vão encontrar os chefes espalhados pela propriedade”, resume Paulo Barata .

Cozinhar a quatro mãos — e reforçar ligações

Outro dos elementos centrais desta edição é o trabalho conjunto entre cozinheiros. Em vez de apresentações individuais, muitos dos pratos resultam de colaborações pensadas para o evento.

“Gostaram muito do desafio que é cozinhar a quatro mãos entre colegas, para reforçar ligações entre as pessoas, entre os próprios cozinheiros”, sublinha Paulo Barata .

A curadoria cruza cozinheiros com ligação ao Alentejo com outros que, não sendo da região, têm afinidade com o território ou trabalham sobre os seus produtos. O resultado é um grupo diverso, mas coerente, que reflecte diferentes formas de olhar para a cozinha do sul.

Depois da Torre de Palma, três novos momentos

Depois do arranque em Monforte, o Food Love Fest Alentejo & Ribatejo segue para mais três propriedades, mantendo o mesmo princípio: um almoço em formato aberto, vários cozinheiros a trabalhar em conjunto e uma ligação directa ao território.

18 de Abril — Ode Winery, Vila Chã de Ourique (Cartaxo, Ribatejo)
Na Ode Winery, o encontro reúne Rafael Duarte (Pátio da Graça), Rui Lima (Deselegante), Tiago Gaspar (Gimbrinhas), Maurício Lage (Amassa), Gonçalo Reguinga (Jardim do Sardão), Rafael Selvagem (Ode Winery), Madalena Dias (Tasco da Ilha), João Correia (Altis Avenida, Rossio Gastrobar) e Hugo Guerra (Bica do Sapato). Um alinhamento que cruza projectos de diferentes geografias, num contexto centrado no vinho e na vinha.

19 de Abril — Fita Preta, Évora (Alentejo)
Em Évora, na Adega Fita Preta, o encontro junta Afonso Dantas (A Cozinha do Paço), Francesco Ogliari (Tua Madre), Ruben Trindade Santos (Casa do Gadanha), Roberto Barros (Galáxia Sky Food), Filipe Ramalho (Páteo Real), André Campos (Forno da Telha), David Jesus (Mapa) e Rodrigo Castelo (Ó Balcão). Um grupo que cruza tradição, produto e abordagens contemporâneas, num dos projectos mais activos da região.

2 de Maio — Craveiral Farmhouse São Teotónio, Odemira (Alentejo)
O encerramento acontece no Craveiral, em São Teotónio, com Marco Nascimento (Alma Nómada), Alexandre Silva (Fogo), David Proença (Volta do Mar), Tasca do Celso, Ana Moura (Lamelas), Porto das Barcas, José Júlio Vintém (Tombalobos), João Narigueta (Híbrido) e Rodrigo Madeira (Meeting Chefs). Um conjunto alargado de cozinheiros que reflecte diferentes gerações e geografias, num ambiente mais descontraído e próximo da natureza.

Em todos os eventos, o modelo mantém-se: cozinheiros convidados, trabalho conjunto, contacto próximo com o público e um percurso que liga gastronomia, vinho e território.

O preço é único para os quatro eventos: 75€ por pessoa, incluindo três bebidas.

Mais do que um evento

Depois do que se ouviu em Arraiolos, estes almoços ganham outra leitura. Já não são apenas momentos de celebração gastronómica, mas também uma espécie de continuação prática de uma conversa maior — sobre produto, identidade, território e futuro.

Se a gastronomia alentejana vive hoje um momento de afirmação, é nestes encontros — entre cozinheiros, produtores e público — que se começa a perceber como esse momento pode evoluir.

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Nota: este artigo contou com o apoio do Turismo do Alentejo e Ribatejo, no âmbito de uma parceria editorial entre o Mesa Marcada e o Food Love Fest.


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