Entre os oito novos estrelados coroados na última gala do Guia Michelin Portugal 2025, houve duas grandes surpresas: o Palatial, em Braga, e o Yōso, em Lisboa. A propósito deste último, como referi num texto anterior, quando a Alexandra Prado Coelho me pediu previsões para novos candidatos a estrelas, para um artigo no Público, mencionei, entre outros, o Yōso, onde tinha estado no Verão passado e de onde saí muito agradado com a refeição de alto nível que o Habner Gomes me proporcionou. Porém, para ser sincero, apesar de considerar a experiência ao nível da distinção, não fazia ideia de que os inspectores do Michelin tivessem o restaurante debaixo de olho e que lhe atribuíssem a estrela apenas oito meses depois de abrir – algo que, não sendo inédito, especialmente para um chef que nunca antes conquistara uma estrela, não é, ainda assim, uma situação comum.
Podia tentar voltar à memória dessa refeição e desenvolver um texto de forma mais estruturada. Porém, dada a distância temporal, acho mais correcto recuperar as impressões que trouxe do restaurante exactamente como as publiquei na altura minha conta do Instagram:
Em Lisboa (e em alguns pontos da Grande Lisboa, como Cascais, por exemplo), vive-se um bom momento no que toca a restaurantes de cozinha japonesa. Nos últimos tempos, numa concorrência saudável com lugares já consagrados, surgiram novos conceitos, com tendência para os mais acessíveis izakayas. Ainda assim, têm igualmente aparecido propostas mais exclusivas de cozinha kaiseki, onde o cliente se entrega nas mãos do chef, que lhe serve uma sucessão de pratos seguindo preceitos que evidenciam sabor, sazonalidade, textura, estética, entre outros aspectos fundamentais desta tradição.
Meio escondido, próximo do Palácio das Necessidades, em Alcântara, o Yōso é um dos mais recentes exemplos dentro deste último conceito. Com uma decoração depurada, o restaurante, de apenas 22 lugares – distribuídos entre um balcão e três mesas –, tem à frente da cozinha @habner_gomes, que é também proprietário, em parceria com @josebalau, responsável pelas bebidas e pela sala.

Já conhecia o Habner dos tempos do Mattë (que, entretanto, encerrou), onde me proporcionou, na altura, um jantar de encher as medidas. Agora, em casa própria e num ambiente mais acolhedor, o brasileiro, que fez toda a sua carreira em Portugal, está nas suas sete quintas e dedica-se a apresentar um único menu omakase de grande nível (ao almoço, há uma alternativa mais simples e acessível, servida em bento box).
Nesta refeição, Habner confirmou os predicados que já lhe conhecia: o domínio da cozinha japonesa, a procura incessante por produtos de qualidade e uma técnica exímia nos preparos – algo essencial quando se pretende trabalhar com ingredientes de topo. Entre os destaques, encontram-se peixes da nossa costa (ou dos Açores), como pargo, encheréu, atum ou lula, bem como produtos vindos do Japão, como o molho de soja envelhecido, o wasabi fresco ou as vieiras de Hokkaido. Há também um toque de caviar “bling” aqui e ali, mas, havendo pilim, quem o pode censurar?
Com esta qualidade, serviço hospitaleiro e um público aberto – nomeadamente muitos portugueses que não se importam de pagar bem por um bom japonês –, prevejo vida longa para este @yoso_omakase. Ou, pelo menos, assim o espero.
Contactos: YŌSO – Omakase
Rampa das Necessidades 6, 1350-188 Lisboa | Tel: 21 397 0705 |Horários: Terça a Sábado: 12.30/14.30h e 20/23h
Posts Relacionados:
. Guia Michelin 2025. Análise: vencedores, casos e casinhos
. Finalmente uma chuvinha de estrelas no Guia Michelin Portugal 2025
Discover more from Mesa Marcada
Subscribe to get the latest posts sent to your email.













Sem dúvida, está no top 3 da oferta deste segmento em Lisboa. A qualidade do produto e a consistência justificam a estrela. Vale muito a pena.