Contra a lógica e menos europeu, World 50 Best consagra Maido “o melhor do mundo”. Belcanto fica em 42°
Maido, do Peru, é eleito o melhor restaurante do mundo pelo World's 50 Best 2025, quebrando a lógica europeia. Belcanto desce para 42º lugar. Análise completa da lista que surpreendeu pela presença asiática e latino-americana no top 10.
Seguindo a lógica dos anos anteriores — desde que a organização do World’s 50 Best Restaurants passou a retirar os antigos números 1 da lista — tudo apontava para que, este ano, o Asador Etxebarri subisse do 2.º para o 1.º lugar, como tem sido hábito em edições anteriores. Hum… #sóquenão. Surpreendentemente (ou talvez não), acabou por ser o Maido, de Lima, no Peru, a alcançar o topo e a conquistar o título de “melhor restaurante do mundo”.
Olhando para a lista (que publicamos abaixo), a primeira sensação que se impõe, mesmo sem grande rigor analítico, é que este será talvez o ranking menos europeu de que tenho memória — pelo menos nos lugares cimeiros. Para além da vitória do Maido — que repete a façanha do também peruano Central, vencedor em 2023 — temos ainda o Quintonil, do México, em 3.º, o Gaggan (Banguecoque) em 6.º, o Sézanne (Tóquio) em 7.º e o argentino Don Julio em 10.º. Quatro restaurantes não europeus no top 10, além de vários outros entre os 50 primeiros.
Entre os europeus, nota-se que a Espanha já não domina como antes, mas continua bem representada, tal como Itália. Já os países nórdicos marcam presença apenas com três restaurantes no top 50 — entre eles o muito falado Alchemist, que surge em 5.º. Sim, soa a pouco para a tão afamada “cozinha nórdica”, cuja ascenção nos últimos 15/20 anos foi brutal. E só não é ainda mais curto porque os dois ex-números 1 da região já não podem constar na lista.
Quanto a Portugal, mantém-se presença do Belcanto no top 50 — agora na 42.ª posição, depois de uma descida de 11 lugares face ao ano passado, quando figurava em 31.º. Tem havido um batimento cardíaco moderado na classificação do restaurante de José Avillez (31° em 2024, 25° em 2023, 46° em 2022, 42° em 2021 e 2019), mas ainda assim, continua a ser um bom resultado, tendo em conta que Portugal mantem-se encurralado na mesma área geográfica de Espanha. Na verdade, em termos de visibilidade, o mais importante é que se mantenha no Top 50, uma vez que que continua a ser o único restaurante português a integrar esta lista global.
Os números, os prémios, as entradas novas e outras curiosidades da lista
Pegando no comunicado enviado pela organização, o novo nº 1 do mundo é então o Maido, em Lima (Peru), do chef Mitsuharu ‘Micha’ Tsumura, que sobe do 5.º lugar do ano passado ao lugar cimeiro da lista. Especializado em cozinha Nikkei – a fusão de técnicas japonesas e ingredientes peruanos – o restaurante foi distinguido pela sua consistência e evolução ao longo de mais de 15 anos de actividade. Micha sucede ao Disfrutar, de Barcelona, que como é tradição entra agora na galeria “Best of the Best”, composta por anteriores vencedores que já não são elegíveis para votação.
O Asador Etxebarri, em Atxondo, mantém-se no 2.º lugar, reafirmando a intemporalidade da proposta de Bittor Arginzoniz, enquanto o mexicano Quintonil manteve o 3.º posto. Seguem-se o DiverXO (Madrid, 4.º), o Alchemist(Copenhaga, 5.º), o Gaggan (Banguecoque, 6.º), o Sézanne (Tóquio, 7.º), o Table by Bruno Verjus (Paris, 8.º), o Kjolle(Lima, 9.º) e o argentino Don Julio, que fecha o top 10.
No total, a lista inclui restaurantes de 22 países, com 10 novas entradas, entre elas o Potong (n.º 13) e o Nusara (n.º 35), ambos em Banguecoque, o Atelier Moessmer Norbert Niederkofler (n.º 20), em Brunico, Itália, o Mérito (n.º 26), também em Lima, o Lasai (n.º 28), no Rio de Janeiro, o Enigma (n.º 34), de Albert Adrià, em Barcelona, o Kadeau (n.º 41), em Copenhaga, o Vyn (n.º 47), em Skillinge, Suécia, o Celele (n.º 48), em Cartagena (Colômbia) e o Restaurant Jan(n.º 50), em Munique.
Além das estreias, quatro restaurantes voltaram à lista principal (1-50): Narisawa (n.º 21, Tóquio), Le Calandre (n.º 31, Rubano, Itália), Orfali Bros (n.º 37, Dubai) e La Cime (n.º 44, Osaka).
Entre os prémios individuais, o Highest New Entry Award foi para o Potong, de Pichaya ‘Pam’ Soontornyanakij, e o prémio Highest Climber, patrocinado pela Lee Kum Kee, foi atribuído ao londrino Ikoyi (n.º 15), que subiu 27 posiçõesface a 2024. O prémio Chefs’ Choice, patrocinado pela Estrella Damm e votado exclusivamente pelos cozinheiros da lista, distinguiu Albert Adrià, do Enigma. O prémio de Melhor Sommelier do Mundo 2025 foi atribuído a Mohamed Benabdallah, sommelier e responsável de sala do Asador Etxebarri. Já o Sustainable Restaurant Award foi entregue ao Celele, em Cartagena, pela sua acção em prol da biodiversidade e das comunidades locais.
Outros prémios previamente anunciados foram entregues durante a cerimónia de Turim: Maxime Frédéric, pasteleiro do Cheval Blanc Paris e do restaurante Plénitude (n.º 14), foi eleito Melhor Pasteleiro do Mundo 2025, Mindy Woods, do restaurante australiano Karkalla On Country, venceu o Champions of Change Award, a tailandesa Chef Pam foi considerada a Melhor Chef Feminina, o Wing (n.º 11, Hong Kong) recebeu o prémio Art of Hospitality e o restaurante Khufu’s, no Cairo, foi distinguido com o prémio Resy One To Watch.
Finalmente, a 50 Best Scholarship 2025, em parceria com o Consórcio Parmigiano Reggiano, foi atribuída à jovem cozinheira colombiana Angélica Ortiz, actualmente no restaurante Oxomoco, em Nova Iorque, e que irá estagiar no El Celler de Can Roca (Girona) e no SingleThread (Califórnia), num programa formativo centrado na sustentabilidade e na gastronomia sazonal.
O comunicado recorda ainda que a votação é feita por 1.120 especialistas internacionais da indústria restauração e gourmets experientes que compõem a Academia do World’s 50 Best Restaurants. Esta academia, equilibrada em termos de género, é dividida em 28 regiões distintas pelo mundo, cada uma com 40 membros incluindo um presidente. Importante sublinhar que o processo de votação é auditado pela Deloitte, “garantindo assim a integridade e autenticidade tanto da votação como da lista final”.
Seguindo a lógica dos anos anteriores — desde que a organização do World’s 50 Best Restaurants passou a retirar os antigos números 1 da lista — tudo apontava para que, este ano, o Asador Etxebarri subisse do 2.º para o 1.º lugar, como tem sido hábito em edições anteriores. Hum… #sóquenão. Surpreendentemente (ou talvez não), acabou por ser o Maido, de Lima, no Peru, a alcançar o topo e a conquistar o título de “melhor restaurante do mundo”.
Olhando para a lista (que publicamos abaixo), a primeira sensação que se impõe, mesmo sem grande rigor analítico, é que este será talvez o ranking menos europeu de que tenho memória — pelo menos nos lugares cimeiros. Para além da vitória do Maido — que repete a façanha do também peruano Central, vencedor em 2023 — temos ainda o Quintonil, do México, em 3.º, o Gaggan (Banguecoque) em 6.º, o Sézanne (Tóquio) em 7.º e o argentino Don Julio em 10.º. Quatro restaurantes não europeus no top 10, além de vários outros entre os 50 primeiros.
Entre os europeus, nota-se que a Espanha já não domina como antes, mas continua bem representada, tal como Itália. Já os países nórdicos marcam presença apenas com três restaurantes no top 50 — entre eles o muito falado Alchemist, que surge em 5.º. Sim, soa a pouco para a tão afamada “cozinha nórdica”, cuja ascenção nos últimos 15/20 anos foi brutal. E só não é ainda mais curto porque os dois ex-números 1 da região já não podem constar na lista.
Quanto a Portugal, mantém-se presença do Belcanto no top 50 — agora na 42.ª posição, depois de uma descida de 11 lugares face ao ano passado, quando figurava em 31.º. Tem havido um batimento cardíaco moderado na classificação do restaurante de José Avillez (31° em 2024, 25° em 2023, 46° em 2022, 42° em 2021 e 2019), mas ainda assim, continua a ser um bom resultado, tendo em conta que Portugal mantem-se encurralado na mesma área geográfica de Espanha. Na verdade, em termos de visibilidade, o mais importante é que se mantenha no Top 50, uma vez que que continua a ser o único restaurante português a integrar esta lista global.
Os números, os prémios, as entradas novas e outras curiosidades da lista
Pegando no comunicado enviado pela organização, o novo nº 1 do mundo é então o Maido, em Lima (Peru), do chef Mitsuharu ‘Micha’ Tsumura, que sobe do 5.º lugar do ano passado ao lugar cimeiro da lista. Especializado em cozinha Nikkei – a fusão de técnicas japonesas e ingredientes peruanos – o restaurante foi distinguido pela sua consistência e evolução ao longo de mais de 15 anos de actividade. Micha sucede ao Disfrutar, de Barcelona, que como é tradição entra agora na galeria “Best of the Best”, composta por anteriores vencedores que já não são elegíveis para votação.
O Asador Etxebarri, em Atxondo, mantém-se no 2.º lugar, reafirmando a intemporalidade da proposta de Bittor Arginzoniz, enquanto o mexicano Quintonil manteve o 3.º posto. Seguem-se o DiverXO (Madrid, 4.º), o Alchemist(Copenhaga, 5.º), o Gaggan (Banguecoque, 6.º), o Sézanne (Tóquio, 7.º), o Table by Bruno Verjus (Paris, 8.º), o Kjolle(Lima, 9.º) e o argentino Don Julio, que fecha o top 10.
No total, a lista inclui restaurantes de 22 países, com 10 novas entradas, entre elas o Potong (n.º 13) e o Nusara (n.º 35), ambos em Banguecoque, o Atelier Moessmer Norbert Niederkofler (n.º 20), em Brunico, Itália, o Mérito (n.º 26), também em Lima, o Lasai (n.º 28), no Rio de Janeiro, o Enigma (n.º 34), de Albert Adrià, em Barcelona, o Kadeau (n.º 41), em Copenhaga, o Vyn (n.º 47), em Skillinge, Suécia, o Celele (n.º 48), em Cartagena (Colômbia) e o Restaurant Jan(n.º 50), em Munique.
Além das estreias, quatro restaurantes voltaram à lista principal (1-50): Narisawa (n.º 21, Tóquio), Le Calandre (n.º 31, Rubano, Itália), Orfali Bros (n.º 37, Dubai) e La Cime (n.º 44, Osaka).
Entre os prémios individuais, o Highest New Entry Award foi para o Potong, de Pichaya ‘Pam’ Soontornyanakij, e o prémio Highest Climber, patrocinado pela Lee Kum Kee, foi atribuído ao londrino Ikoyi (n.º 15), que subiu 27 posiçõesface a 2024. O prémio Chefs’ Choice, patrocinado pela Estrella Damm e votado exclusivamente pelos cozinheiros da lista, distinguiu Albert Adrià, do Enigma. O prémio de Melhor Sommelier do Mundo 2025 foi atribuído a Mohamed Benabdallah, sommelier e responsável de sala do Asador Etxebarri. Já o Sustainable Restaurant Award foi entregue ao Celele, em Cartagena, pela sua acção em prol da biodiversidade e das comunidades locais.
Outros prémios previamente anunciados foram entregues durante a cerimónia de Turim: Maxime Frédéric, pasteleiro do Cheval Blanc Paris e do restaurante Plénitude (n.º 14), foi eleito Melhor Pasteleiro do Mundo 2025, Mindy Woods, do restaurante australiano Karkalla On Country, venceu o Champions of Change Award, a tailandesa Chef Pam foi considerada a Melhor Chef Feminina, o Wing (n.º 11, Hong Kong) recebeu o prémio Art of Hospitality e o restaurante Khufu’s, no Cairo, foi distinguido com o prémio Resy One To Watch.
Finalmente, a 50 Best Scholarship 2025, em parceria com o Consórcio Parmigiano Reggiano, foi atribuída à jovem cozinheira colombiana Angélica Ortiz, actualmente no restaurante Oxomoco, em Nova Iorque, e que irá estagiar no El Celler de Can Roca (Girona) e no SingleThread (Califórnia), num programa formativo centrado na sustentabilidade e na gastronomia sazonal.
O comunicado recorda ainda que a votação é feita por 1.120 especialistas internacionais da indústria restauração e gourmets experientes que compõem a Academia do World’s 50 Best Restaurants. Esta academia, equilibrada em termos de género, é dividida em 28 regiões distintas pelo mundo, cada uma com 40 membros incluindo um presidente. Importante sublinhar que o processo de votação é auditado pela Deloitte, “garantindo assim a integridade e autenticidade tanto da votação como da lista final”.
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